INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma mulher com 23 anos de idade comparece à consulta com seu médico na Unidade Básica de Saúde 5 semanas após o nascimento do primeiro bebê. Tem história prévia de depressão maior grave no final da adolescência, com duração de cerca de um ano e remissão espontânea. Neste momento, relata sentir-se muito culpada, vazia e com baixa autoestima, especialmente por estar com dificuldades em lidar com o bebê. Informa que a gestação não foi planejada e que não tem apoio da família. Ao ser questionada, afirma estar triste quase todo o tempo nas últimas 3 semanas, que não consegue dormir, mesmo quando o bebê descansa, e que sente muita irritabilidade, fadiga e diminuição do apetite. Nesse caso, o diagnóstico e a conduta adequada para a paciente são, respectivamente:
Sintomas depressivos > 2 semanas pós-parto + prejuízo funcional = Depressão Pós-Parto (não é Baby Blues).
A depressão pós-parto exige intervenção (psicoterapia/farmacoterapia) e se diferencia do 'baby blues' pela duração (>2 semanas) e gravidade dos sintomas.
A depressão pós-parto é uma condição psiquiátrica séria que afeta cerca de 10-15% das puérperas. O diagnóstico precoce é crucial, pois a depressão materna não tratada está associada a atrasos no desenvolvimento cognitivo e emocional do lactente. O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, combinando psicoterapia (especialmente a interpessoal ou cognitivo-comportamental) e, em casos moderados a graves, o uso de antidepressivos, sendo os ISRS a classe de escolha pela segurança e perfil de tolerabilidade.
O 'Baby Blues' ou disforia puerperal atinge até 80% das mulheres, inicia-se nos primeiros dias após o parto e regride espontaneamente em até 2 semanas, sem prejuízo grave ao cuidado do bebê. Já a Depressão Pós-Parto (DPP) apresenta sintomas mais intensos (culpa, anedonia, ideação suicida), dura mais de 2 semanas e interfere significativamente no vínculo mãe-bebê e nas atividades diárias, exigindo tratamento médico.
A Sertralina e a Paroxetina são frequentemente consideradas de primeira linha durante a amamentação devido à sua baixa excreção no leite materno e níveis séricos indetectáveis no lactente na maioria dos casos. A escolha deve considerar o histórico de resposta da paciente a antidepressivos prévios, mas a segurança do binômio mãe-filho é a prioridade na seleção farmacológica.
O principal fator de risco é a história prévia de depressão (seja em gestações anteriores ou fora do período gravídico). Outros fatores incluem falta de suporte social, gestação não planejada, eventos estressantes recentes, complicações obstétricas e histórico familiar de transtornos de humor. O rastreio com a Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo é recomendado em consultas de rotina.
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