PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024
Marcia tem 18 anos e deu à luz o Marcelo há 2,5 meses por parto vaginal, que pesou 3.020 g, Apgar 8 e 9, ambos tiveram alta juntos no 2º. dia de puerpério. Foi seu primeiro filho, antes disso teve 3 abortamentos espontâneos, seguidos de curetagem uterinas. Ela é fumante e não conseguiu ficar sem fumar durante a gestação. Antes de engravidar tinha quadro importante de tensão pré-menstrual, usava fluoxetina 20 mg 2 vezes ao dia e alprazolam para dormir. Seu marido é 15 anos mais velho do que ela. Na consulta com o ginecologista para orientação de algum método contraceptivo, Marcia comenta que não sabe o que está acontecendo com ela, pois desde a primeira semana após o parto está constantemente triste, chorosa, muito ansiosa, por vezes com taquicardia. Tem sonolência excessiva, pois o bebê chora muito e sente que seu leite nunca é suficiente. Ela confessa que, por vezes, ela tem pensamentos indicando que se mate ou que faça alguma coisa com o seu bebê. A partir do quadro clínico relatado, assinale a afirmação CORRETA entre as abaixo relacionadas:
Tristeza, choro, ansiedade, pensamentos suicidas/infanticidas > 2 semanas pós-parto → Depressão Pós-Parto grave, exige abordagem multiprofissional e suporte.
A paciente apresenta sintomas graves de depressão pós-parto, incluindo ideação suicida e infanticida, o que exige uma abordagem urgente e multiprofissional, com psicoterapia, apoio social e, se necessário, farmacoterapia compatível com a amamentação.
A depressão pós-parto (DPP) é uma condição psiquiátrica séria que afeta mulheres após o parto, com prevalência significativa. Diferente do 'baby blues', que é transitório e leve, a DPP apresenta sintomas mais intensos e duradouros, como tristeza profunda, ansiedade, irritabilidade, alterações do sono e apetite, e sentimentos de inadequação. O caso de Márcia, com sintomas persistentes por 2,5 meses e ideação suicida/infanticida, configura um quadro grave de DPP. Fatores de risco para DPP incluem histórico de transtornos mentais (como ansiedade e depressão pré-existentes, uso de fluoxetina e alprazolam), eventos estressantes na vida, falta de apoio social, complicações na gestação ou parto, e histórico de abortamentos. A via de parto (vaginal ou cesárea) e a diferença de idade entre os cônjuges não são considerados fatores de risco diretos para DPP, ao contrário do que a alternativa B sugere. A abordagem da DPP, especialmente em casos graves, deve ser multiprofissional e individualizada. A psicoterapia, o apoio do parceiro e da rede social, e a atividade física regular são componentes essenciais. Em casos de ideação suicida ou infanticida, a farmacoterapia com antidepressivos é frequentemente necessária, e a escolha deve considerar a amamentação. A interrupção da lactação não é a primeira medida, pois muitos antidepressivos são compatíveis com a amamentação, e o benefício do aleitamento materno deve ser preservado sempre que possível.
Sinais de alerta incluem tristeza persistente, choro frequente, ansiedade intensa, insônia ou hipersonia, perda de interesse, sentimentos de culpa ou inutilidade, e, criticamente, pensamentos de autoagressão ou de fazer mal ao bebê.
O 'baby blues' é uma condição leve e transitória (dura até 2 semanas pós-parto), com labilidade emocional. A depressão pós-parto é mais grave, persistente (dura mais de 2 semanas) e pode incluir sintomas incapacitantes e ideação suicida/infanticida.
O tratamento envolve uma abordagem multiprofissional, incluindo psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental, terapia interpessoal), apoio social (parceiro, família), atividade física e, em casos moderados a graves, farmacoterapia (antidepressivos compatíveis com amamentação).
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