Depressão com Risco de Suicídio: Manejo e Conduta

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 43 anos de idade compareceu ao atendimento do pronto-socorro às 3h30 da manhã, relatando dificuldade para dormir e que vem apresentando perda da vontade de fazer as coisas, pensamento lentificado, com latência maior de resposta e sensação de “brancos”, bem como perda da vontade sexual. Relata que o irmão gêmeo morreu na pandemia de Covid-19, na segunda “onda”, e que, desde então, vem pensando que não vale a pena viver. Foi indicado diazepam no dia para auxiliar no sono e alprazolam XR para casa. Após duas semanas, o plantonista atendeu um caso de autoextermínio com êxito, em outro hospital no qual trabalha, identificando o paciente atendido anteriormente.A respeito desse caso clínico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) No primeiro atendimento, faltou focar na qualidade de vida e solicitar que o paciente saísse mais, desfrutando da companhia de amigos e tomando alguns drinques.
  2. B) Nesse caso, ficou muito evidente a falta de apoio familiar que, com a morte do irmão, piorou o quadro, o qual poderia ter sido amenizado com apoio espiritual.
  3. C) No primeiro atendimento, o paciente deveria ter sido encaminhado para a psicoterapia cognitiva e comportamental.
  4. D) No lugar do benzodiazepínico alprazolan, deveria ter deixado o diazepan de horário para mantê-lo tranquilo nessa fase.
  5. E) Uma boa opção, nesse caso, seria encaminhar o paciente para a psiquiatria e iniciar um antidepressivo. Se possível, chamar alguém próximo e criar um vínculo empático com o paciente.

Pérola Clínica

Depressão grave com ideação suicida → Priorizar segurança, iniciar antidepressivo, psicoterapia e suporte familiar/social, NÃO apenas benzodiazepínicos.

Resumo-Chave

Em pacientes com depressão maior e ideação suicida, a abordagem inicial deve ser multifacetada, incluindo avaliação psiquiátrica urgente, início de antidepressivos e estabelecimento de um plano de segurança. O uso isolado de benzodiazepínicos pode aliviar a ansiedade, mas não trata a depressão subjacente e pode até desinibir o paciente, aumentando o risco de autoextermínio.

Contexto Educacional

A depressão maior com risco de suicídio é uma emergência psiquiátrica que exige reconhecimento imediato e intervenção adequada. A prevalência de transtornos depressivos é alta, e o suicídio é uma das principais causas de morte em todo o mundo, especialmente em indivíduos com transtornos mentais. Residentes devem estar aptos a identificar fatores de risco e sinais de alerta para prevenir desfechos trágicos. A fisiopatologia da depressão é complexa, envolvendo desregulação de neurotransmissores (serotonina, noradrenalina, dopamina), fatores genéticos, psicossociais e ambientais. O luto complicado, como a perda de um irmão gêmeo na pandemia, é um gatilho significativo. O diagnóstico se baseia em critérios clínicos de humor deprimido, anedonia, alterações de sono/apetite, fadiga, dificuldade de concentração, sentimentos de culpa/desvalia e ideação suicida, persistindo por pelo menos duas semanas. O tratamento de escolha para depressão grave com risco de suicídio envolve uma abordagem multimodal. Isso inclui a internação hospitalar em casos de alto risco, início de antidepressivos (inibidores seletivos da recaptação de serotonina - ISRS são primeira linha, com monitoramento para ativação), psicoterapia (especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental - TCC), e o estabelecimento de uma rede de apoio. É crucial criar um vínculo empático com o paciente e envolver a família. O uso de benzodiazepínicos deve ser restrito ao manejo da agitação ou insônia aguda, sempre em conjunto com o tratamento antidepressivo e monitoramento do risco de suicídio, pois seu uso isolado pode ser perigoso.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para o risco de suicídio em pacientes deprimidos?

Sinais de alerta incluem ideação suicida explícita, anedonia grave, desesperança, isolamento social, perda recente significativa, histórico de tentativas anteriores, e acesso a meios letais. A presença de agitação ou impulsividade também aumenta o risco.

Qual a conduta inicial em um paciente com depressão e risco de suicídio?

A conduta inicial deve incluir uma avaliação psiquiátrica urgente, garantia da segurança do paciente (internação se necessário), início de tratamento antidepressivo (com monitoramento rigoroso), e envolvimento de familiares ou rede de apoio. Benzodiazepínicos podem ser usados para agitação aguda, mas não como tratamento único.

Por que o uso isolado de benzodiazepínicos é inadequado para pacientes com risco de suicídio?

Benzodiazepínicos aliviam a ansiedade e insônia, mas não tratam a depressão subjacente. Em pacientes com ideação suicida, a redução da ansiedade e da inibição pode, paradoxalmente, aumentar a probabilidade de o paciente agir sobre seus pensamentos suicidas, tornando a situação mais perigosa sem o tratamento adequado da depressão.

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