Depressão em Idosos: Escolha do Antidepressivo com Comorbidades

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 68 anos de idade comparece em consulta na Unidade Básica de Saúde por tristeza intensa há 3 meses, associada a falta de prazer nas atividades, falta de energia e insônia inicial. Relata que não consegue mais trabalhar como antes, não tem vontade de sair de casa e têm pensamentos de inutilidade e desesperança com a vida. Tem antecedente de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, dislipidemia e obesidade. Na avaliação, apresenta pressão arterial 186x112mmHg e índice de massa corporal 36,4kg/m². Trouxe exames complementares, evidenciando: hemoglobina glicada 9,6% (VR < 5,6%); colesterol total 256mg/dL; HDL 32mg/dL; LDL 178mg/dL e triglicerídeos 328. Qual é o tratamento medicamentoso de escolha para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Clonazepam
  2. B) Venlafaxina
  3. C) Mirtazapina
  4. D) Citalopram

Pérola Clínica

Depressão em idosos com comorbidades → ISRS (Citalopram) primeira linha, perfil de segurança favorável.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro de depressão maior com múltiplas comorbidades cardiometabólicas. Os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) são a primeira linha de tratamento para depressão, especialmente em idosos, devido ao seu perfil de segurança e menor interação medicamentosa, sendo o Citalopram uma excelente escolha.

Contexto Educacional

A depressão maior é um transtorno psiquiátrico comum, especialmente em idosos, e frequentemente coexiste com múltiplas comorbidades clínicas, como hipertensão, diabetes, dislipidemia e obesidade, como no caso da paciente. O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, como humor deprimido, anedonia, alterações de sono e energia, e pensamentos de inutilidade, persistindo por pelo menos duas semanas. A fisiopatologia da depressão envolve desequilíbrios de neurotransmissores, como serotonina, noradrenalina e dopamina. Em pacientes idosos com comorbidades, a escolha do antidepressivo é complexa e deve considerar o perfil de segurança, interações medicamentosas e efeitos adversos. Os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) são geralmente a primeira linha de tratamento devido ao seu bom perfil de tolerabilidade e segurança cardiovascular. Para o residente, é fundamental saber que o Clonazepam é um benzodiazepínico, indicado para ansiedade e insônia, mas não para o tratamento primário da depressão. A Venlafaxina (IRSN) e a Mirtazapina podem ser opções, mas a Venlafaxina pode elevar a pressão arterial em doses mais altas, o que seria problemático para esta paciente hipertensa descompensada. O Citalopram, um ISRS, é uma escolha segura e eficaz, com menor risco de interações e efeitos adversos cardiovasculares, tornando-o ideal para pacientes idosos com múltiplas comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Transtorno Depressivo Maior?

O diagnóstico de Transtorno Depressivo Maior requer a presença de pelo menos 5 sintomas por um período mínimo de 2 semanas, incluindo humor deprimido ou anedonia, e causando sofrimento significativo ou prejuízo funcional.

Por que os ISRS são considerados a primeira linha para o tratamento da depressão em idosos?

Os ISRS são preferidos em idosos devido ao seu perfil de segurança mais favorável, menor incidência de efeitos anticolinérgicos e cardiovasculares em comparação com antidepressivos tricíclicos, e menor risco de interações medicamentosas significativas.

Quais são as considerações ao prescrever antidepressivos para pacientes com múltiplas comorbidades como hipertensão e diabetes?

É crucial escolher um antidepressivo com mínimo impacto sobre o sistema cardiovascular e metabolismo da glicose. ISRS como citalopram são geralmente seguros, enquanto alguns antidepressivos podem exacerbar hipertensão (ex: venlafaxina em doses altas) ou ter efeitos metabólicos indesejados.

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