INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma adolescente com 14 anos de idade, com história de perda de peso associada a irritabilidade há 6 meses, é atendida em Unidade Básica de Saúde da Família. A paciente refere que deixou de praticar esportes porque se sente cansada, que não consegue se concentrar nos estudos e que dorme mais que o habitual. Diz não ter energia para fazer nada, além de estar sem apetite. Informa que, quando acordada, seu entretenimento é observar as redes sociais em seu celular. Em face desse quadro, a conduta médica adequada é:
Irritabilidade + anedonia + perda de peso em adolescente → Pensar em Depressão (Tratar c/ Fluoxetina).
A depressão na adolescência frequentemente se manifesta como irritabilidade e isolamento social, exigindo intervenção farmacológica e psicoterapêutica precoce.
O diagnóstico de Transtorno Depressivo Maior (TDM) na adolescência é um desafio clínico, pois os sintomas podem ser confundidos com crises de identidade típicas da fase. No entanto, o quadro descrito (perda de peso, irritabilidade, hipersonia, anedonia e fadiga) preenche critérios claros para TDM. A irritabilidade é aceita como substituto do humor deprimido em crianças e adolescentes pelos critérios do DSM-5. O médico da Atenção Básica deve estar apto a iniciar o manejo, pois o atraso no tratamento aumenta o risco de cronificação, abuso de substâncias e comportamento suicida. A Fluoxetina é o único ISRS amplamente aprovado para uso pediátrico em depressão, devendo-se monitorar o paciente de perto nas primeiras semanas de uso quanto ao risco de ideação suicida paradoxal.
Diferente dos adultos, que frequentemente expressam tristeza profunda, os adolescentes com depressão podem apresentar irritabilidade predominante, instabilidade emocional, isolamento social (trocando atividades físicas por redes sociais), queda no desempenho escolar e alterações de sono (hipersonia é comum). A anedonia — perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, como esportes — é um marcador clínico crucial.
A primeira linha de tratamento farmacológico para depressão em crianças e adolescentes é a Fluoxetina, devido ao maior número de evidências de segurança e eficácia nesta faixa etária. O tratamento ideal combina a farmacoterapia com a psicoterapia (especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental ou Terapia Interpessoal), que ajuda a desenvolver estratégias de enfrentamento e regulação emocional.
Deve-se suspeitar de transtorno depressivo quando os sintomas causam prejuízo funcional significativo (parar de praticar esportes, abandonar estudos), duram mais de duas semanas e incluem sintomas somáticos como perda de peso, alterações marcantes no sono e falta de energia persistente. A presença de irritabilidade constante que afeta as relações familiares e sociais também é um sinal de alerta que diferencia da oscilação de humor normal da puberdade.
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