Manejo da Depressão no Idoso com Polifarmácia

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024

Enunciado

Homem, 77 anos de idade, portador de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, ansiedade e depressão, está sob tratamento farmacológico com múltiplas medicações, incluindo anti-hipertensivos (losartana e amlodipina) diurético (furosemida), hipoglicemiante orais (glibenclamida, metformina,dapaglifozina), ansiolítico (alprazolan) e antidepressivo (venlafaxina). O paciente mantém boa funcionalidade e cognição mas, durante uma consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde, relata fadiga constante, fraqueza muscular, câimbras, dificuldade de deambular, perda de concentração e episódios ocasionais de tontura.Quanto ao manejo da depressão nesse paciente, que apresenta múltiplas comorbidades, indique a conduta terapêutica mais adequada:

Alternativas

  1. A) Aumentar a dose do antidepressivo atual.
  2. B) Iniciar um antipsicótico atípico.
  3. C) Realizar terapia cognitivo-comportamental (TCC).
  4. D) Prescrever um ansiolítico de ação rápida.

Pérola Clínica

Em idosos com polifarmácia e sintomas inespecíficos → TCC é preferível para evitar novas interações e efeitos adversos.

Resumo-Chave

O manejo da depressão no idoso com múltiplas comorbidades exige cautela extrema com a polifarmácia. A TCC oferece eficácia clínica sem os riscos de hiponatremia, quedas ou interações medicamentosas comuns aos psicofármacos.

Contexto Educacional

A depressão no idoso frequentemente se manifesta com sintomas somáticos e cognitivos, podendo ser mimetizada ou agravada por condições médicas e medicamentos. O paciente em questão utiliza nove fármacos, incluindo diuréticos e hipoglicemiantes, o que eleva o risco de eventos adversos. A venlafaxina e a furosemida, por exemplo, podem causar hiponatremia, enquanto o alprazolam aumenta o risco de quedas e déficit cognitivo. O tratamento de primeira linha em casos complexos deve priorizar intervenções não farmacológicas como a TCC, que foca na reestruturação cognitiva e ativação comportamental, evitando o agravamento da cascata iatrogênica. Além disso, a avaliação da funcionalidade e a busca por causas reversíveis de fadiga (como anemia, hipotireoidismo ou desequilíbrio eletrolítico) são essenciais no manejo geriátrico integral.

Perguntas Frequentes

Por que evitar o aumento da dose de antidepressivos neste caso?

O paciente já apresenta sintomas que sugerem efeitos adversos ou interações (fadiga, fraqueza, tontura). Aumentar a dose de venlafaxina, especialmente em uso concomitante de diuréticos, eleva drasticamente o risco de hiponatremia grave (SIADH) e síndrome serotoninérgica, além de agravar a polifarmácia já complexa e o risco de quedas.

Quais os benefícios da TCC na depressão geriátrica?

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) possui eficácia comparável aos fármacos em casos de depressão leve a moderada no idoso, com a vantagem crucial de não possuir efeitos colaterais sistêmicos. É a intervenção de escolha para pacientes com múltiplas comorbidades onde o risco de interações medicamentosas e toxicidade orgânica é elevado.

Como a polifarmácia impacta o diagnóstico de depressão?

Muitos sintomas atribuídos à depressão no idoso, como fadiga, perda de concentração e lentificação, podem ser, na verdade, efeitos colaterais de medicamentos (ex: beta-bloqueadores, benzodiazepínicos, diuréticos causando distúrbios hidroeletrolíticos). A revisão criteriosa da farmacoterapia e a desprescrição são passos fundamentais antes de escalar tratamentos psiquiátricos.

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