UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020
Mulher, 82 anos de idade, chega em consulta com a filha com queixa de esquecimento e sensação de mal- estar. Deixou de frequentar o clube dos idosos, prefere ficar em casa e perdeu o prazer nas atividades habituais. Nega tristeza e tem bom apetite. Refere uma certa irritação porque perde objetos. Não acorda descansada pela manhã. Aparenta estar distraída durante a consulta. Qual é o instrumento que melhor auxilia no diagnóstico deste caso?
Queixas de esquecimento, irritabilidade e anedonia em idosos, sem tristeza explícita, sugerem depressão, sendo a GDS o melhor rastreio.
A paciente apresenta sintomas atípicos de depressão em idosos, como irritabilidade, anedonia (perda de prazer) e queixas cognitivas (esquecimento), sem referir tristeza explícita. A Escala de Depressão Geriátrica (GDS) é o instrumento mais adequado para rastrear depressão nessa população, pois foca em sintomas mais comuns em idosos, como anedonia e queixas somáticas/cognitivas, em vez de humor deprimido clássico.
A depressão em idosos é uma condição prevalente e muitas vezes subdiagnosticada, devido à sua apresentação atípica. Diferente dos adultos mais jovens, idosos podem não relatar tristeza como sintoma principal, manifestando a depressão através de irritabilidade, anedonia (perda de prazer), queixas somáticas, insônia, fadiga e, notavelmente, queixas cognitivas que podem mimetizar demência. O reconhecimento desses sinais é crucial para um diagnóstico e manejo precoces. A avaliação geriátrica abrangente deve incluir o rastreio para depressão. Instrumentos como o Mini Exame do Estado Mental (MMSE) avaliam cognição, o Confusion Assessment Method (CAM) rastreia delirium, e as escalas de Katz e Lawton avaliam atividades de vida diária. No entanto, para depressão, a Escala de Depressão Geriátrica (GDS) é o instrumento de escolha. Ela é projetada para idosos, com perguntas que abordam sintomas como perda de interesse, energia e prazer, sendo menos focada no humor deprimido clássico. O tratamento da depressão em idosos envolve abordagens farmacológicas (antidepressivos, com cautela devido a polifarmácia e comorbidades) e não farmacológicas (psicoterapia, atividades físicas e sociais). O manejo adequado não só melhora a qualidade de vida, mas também pode impactar positivamente a função cognitiva e reduzir o risco de outras comorbidades. É fundamental diferenciar a pseudodemência depressiva da demência real, pois o tratamento da depressão pode reverter as queixas cognitivas associadas.
Em idosos, a depressão pode se manifestar com irritabilidade, anedonia (perda de prazer), queixas somáticas (dores, fadiga), insônia, perda de apetite, isolamento social e queixas cognitivas (esquecimento), em vez da tristeza explícita observada em adultos mais jovens.
A GDS é validada para idosos e foca em sintomas mais prevalentes nessa faixa etária, como anedonia, perda de interesse e prazer, sendo menos focada no humor deprimido clássico, que pode ser negado ou não reconhecido como sintoma principal.
As queixas cognitivas na depressão (pseudodemência depressiva) tendem a ser mais flutuantes, com o paciente ciente de suas dificuldades e queixas mais detalhadas. Na demência, o paciente pode minimizar ou não ter insight sobre os déficits, que são progressivos e mais persistentes. O tratamento da depressão pode melhorar as queixas cognitivas.
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