HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022
Paciente idosa, 73 anos , viúva , mãe de 6 filhos , mora sozinha mais uma acompanhante, sempre foi autônoma e independente. Apresenta osteoporose e glaucoma . Vai a consulta queixando-se de fadiga, passando o dia todo deitada . Relata a acompanhante que a mesma não vem aceitando bem a dieta , vem perdendo peso e deixou de fazer as atividades costumeiras como o bordado e a leitura. Isto tudo iniciou na ocasião da pandemia , em que precisou ficar totalmente dentro de casa , perdendo parte do relacionamento social que tinha ao ir à missa , à padaria entre ouros lugares. A acompanhante refere que a idosa está desconcentrada e com lapsos de memória mais aguçados. Quando questionada se sentia tristeza , a idosa disse que não tinha razões para estar triste , mas que se sentia solidão e que julgava ser inúltil , sendo melhor morrer . Exame físico normal e exames laboratoriais normais . Marque a alternativa errada
Depressão em idosos: sintomas atípicos (fadiga, queixas cognitivas, solidão, inutilidade) são comuns; iniciar tratamento farmacológico com baixa dose, mas titular até dose eficaz.
A depressão em idosos frequentemente se manifesta de forma atípica, com queixas somáticas como fadiga, perda de peso e queixas cognitivas (pseudodemência), em vez de tristeza explícita. O tratamento deve ser multimodal, combinando farmacoterapia e intervenções não farmacológicas. Embora a farmacoterapia deva ser iniciada com baixas doses ('start low, go slow'), o objetivo é atingir a dose terapêutica eficaz para remissão, e não manter doses subótimas.
A depressão em idosos é uma condição prevalente e muitas vezes subdiagnosticada, com manifestações clínicas que podem diferir das apresentadas por adultos mais jovens. Em vez de tristeza explícita, idosos podem apresentar queixas somáticas como fadiga, dores inespecíficas, perda de apetite e peso, além de queixas cognitivas que podem mimetizar demência (pseudodemência depressiva). O isolamento social, a perda de papéis e eventos estressores como a pandemia podem precipitar ou agravar o quadro. O diagnóstico da depressão em idosos baseia-se nos critérios do DSM-5, adaptados para reconhecer essas apresentações atípicas. A presença de anedonia, alterações do sono e apetite, fadiga, sentimentos de inutilidade e ideação suicida são sinais de alerta. É fundamental diferenciar a depressão de demências e outras condições médicas que podem causar sintomas semelhantes, através de uma avaliação clínica completa e exames laboratoriais para excluir causas orgânicas. O tratamento da depressão geriátrica é multimodal, combinando farmacoterapia e abordagens não farmacológicas. Na farmacoterapia, a escolha do antidepressivo deve considerar o perfil de efeitos colaterais e interações medicamentosas. É prática padrão iniciar com doses baixas e titular lentamente ('start low, go slow'), mas o objetivo final é atingir a dose terapêutica eficaz para remissão completa dos sintomas, não apenas manter doses mínimas. A psicoterapia, o suporte social e a reativação comportamental são componentes essenciais para a recuperação e prevenção de recaídas.
Idosos com depressão podem apresentar fadiga, perda de peso, queixas cognitivas (lapsos de memória, desatenção), isolamento social, irritabilidade, queixas somáticas e sentimentos de inutilidade ou solidão, em vez da tristeza clássica. A ideação suicida também é um sinal de alerta importante.
O tratamento farmacológico em idosos deve ser iniciado com baixas doses ('start low, go slow') para minimizar efeitos adversos. No entanto, a dose deve ser gradualmente titulada até a dose terapêutica eficaz que promova a remissão dos sintomas, monitorando cuidadosamente a resposta e a tolerância do paciente.
A abordagem não farmacológica é crucial e deve ser associada à farmacoterapia. Inclui psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental), atividades físicas, estimulação cognitiva, ressocialização e suporte familiar. Essas intervenções melhoram o bem-estar, a funcionalidade e a adesão ao tratamento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo