Depressão Geriátrica: Diagnóstico e Manejo em Idosos

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 78 anos de idade é avaliado para quadro recente de dificuldade com a memória. Ele tem hipertensão tratada com hidroclorotiazida e relata diminuição do apetite, problemas em adormecer e afastamento das atividades sociais, desde a morte de sua esposa, há 13 meses, ocasião em que ele teve que assumir várias novas responsabilidades, incluindo a gestão das finanças e cozinhar. Perdeu 5 kg de peso nesse período. Ele está preocupado porque tem esquecido de pagar algumas contas. Sinais vitais, exame físico e neurológico: normais; Miniexame do Estado Mental: 28/30 (normal: ≥ 24); versão reduzida da Escala de Depressão Geriátrica: 9 (normal: < 6). Exames laboratoriais, incluindo hemograma, vitamina B12 e perfil de tireoide: normais. Nesse momento, a conduta correta é

Alternativas

  1. A) iniciar um inibidor da acetilcolinesterase.
  2. B) iniciar o tratamento para depressão.
  3. C) realizar testes neuropsicológicos.
  4. D) solicitar uma tomografia computadorizada de crânio sem uso de contraste.
  5. E) solicitar uma ressonância magnética do encéfalo com uso de contraste.

Pérola Clínica

Idoso com queixas cognitivas + GDS ≥ 6 + exames normais → Pseudodemência depressiva = Tratar depressão.

Resumo-Chave

Em idosos, a depressão pode mimetizar demência (pseudodemência depressiva), manifestando-se com queixas de memória, anedonia, alterações de sono e peso. Um Miniexame do Estado Mental (MEEM) normal e uma Escala de Depressão Geriátrica (GDS) elevada sugerem fortemente depressão como causa primária, exigindo tratamento específico para o transtorno do humor.

Contexto Educacional

A depressão geriátrica é um transtorno comum e muitas vezes subdiagnosticado em idosos, com prevalência significativa. É crucial reconhecê-la, pois pode impactar severamente a qualidade de vida e mimetizar outras condições, como a demência, configurando a chamada pseudodemência depressiva. A identificação precoce e o tratamento adequado são essenciais para a recuperação funcional e cognitiva do paciente. O diagnóstico da depressão em idosos baseia-se na história clínica, sintomas como anedonia, alterações de sono, apetite e peso, e na aplicação de escalas como a Escala de Depressão Geriátrica (GDS), onde uma pontuação ≥ 6 é sugestiva. É fundamental excluir outras causas orgânicas para os sintomas, como deficiência de vitamina B12 ou hipotireoidismo, através de exames laboratoriais. A diferenciação da demência é um ponto chave, onde o MEEM pode ajudar, mas a GDS é mais específica para o humor. A conduta para a depressão geriátrica envolve o uso de antidepressivos, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), e intervenções não farmacológicas, como psicoterapia e suporte social. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, levando à melhora dos sintomas depressivos e, consequentemente, das queixas cognitivas. Acompanhamento regular é necessário para monitorar a resposta e ajustar a terapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de pseudodemência depressiva em idosos?

Os sinais incluem queixas de memória, diminuição do apetite, insônia, afastamento social, perda de peso e pontuação elevada na Escala de Depressão Geriátrica (GDS), com exames neurológicos e laboratoriais geralmente normais, e MEEM preservado ou com leve queda não compatível com demência avançada.

Qual a conduta inicial para um idoso com suspeita de pseudodemência depressiva?

A conduta inicial correta é iniciar o tratamento para depressão, geralmente com antidepressivos e psicoterapia. É fundamental abordar os sintomas depressivos, pois a melhora do humor pode levar à reversão dos déficits cognitivos.

Como diferenciar pseudodemência depressiva de demência inicial?

A pseudodemência depressiva geralmente tem início mais agudo, com queixas cognitivas detalhadas pelo paciente, humor deprimido proeminente, e MEEM que pode ser normal ou com pontuação que não sugere demência grave. A demência, por outro lado, tem início insidioso, déficits cognitivos que o paciente pode não perceber e piora progressiva do MEEM.

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