USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher de 60 anos de idade é interrogada sobre suas atividades habituais em primeira consulta. Refere que, desde a morte do marido há dois anos, sente pouco interesse em arrumar a casa, o que fazia rapidamente. Tem dias melhores e dias piores, e melhora nos fins de semana quando os netos a visitam. Nos demais dias, sente-se triste. O próximo passo mais adequado no manejo desta paciente é:
Suspeita de depressão no idoso → Aplicar escala validada (ex: GDS-15) antes de iniciar psicofármacos.
O diagnóstico de depressão em idosos requer diferenciação cuidadosa de luto e outras condições; escalas de rastreio objetivam a conduta.
A depressão no idoso é frequentemente subdiagnosticada e subtratada. Apresenta-se muitas vezes com queixas somáticas, irritabilidade ou isolamento social, em vez da tristeza clássica. O luto é um fator desencadeante comum, mas quando os sintomas persistem por anos ou impedem o funcionamento básico, deve-se investigar transtorno depressivo. Ferramentas como a GDS-15 são validadas e recomendadas por diretrizes internacionais para uso na prática clínica diária, permitindo uma abordagem baseada em evidências.
Questionários como a Escala de Depressão Geriátrica (GDS) ou o PHQ-9 ajudam a objetivar sintomas que muitas vezes são minimizados pelo idoso ou confundidos com o processo de envelhecimento e luto. Eles fornecem uma pontuação que auxilia na distinção entre tristeza reativa e transtorno depressivo maior, além de servirem como base comparativa para avaliar a resposta ao tratamento futuro.
O luto normal geralmente apresenta ondas de sofrimento intercaladas com momentos de afeto positivo e foco na perda. No transtorno depressivo, a tristeza é persistente, há anedonia generalizada, sentimentos de inutilidade e culpa não relacionada ao falecido. No caso da paciente, o tempo decorrido (dois anos) e o impacto nas atividades diárias sugerem que o quadro pode ter evoluído para depressão, exigindo triagem formal.
O início imediato de antidepressivos (como mirtazapina ou amitriptilina) sem um diagnóstico firmado expõe o idoso a efeitos colaterais desnecessários, como sedação, quedas e interações medicamentosas. A conduta correta na atenção primária é confirmar a suspeita diagnóstica através de anamnese detalhada e ferramentas de rastreio antes da intervenção farmacológica.
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