UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023
Paciente, 67 anos, sexo feminino, professora aposentada, é trazida primeira vez à consulta com MFC da Estratégia Saúde da Família (ESF), desde que se mudou para morar com o filho após falecimento do marido. Refere fazer tratamento para hipertensão (enalapril 20 mg ao dia) e osteoartrite (condroitina - glicosamina). Questionada sobre seu estado de humor, a paciente refere que já não vê graça na vida, pois não faz sentido viver com tantas dores. Além de medicação para dor, solicitou também para insônia. Mesmo bem acolhida pelo filho, a paciente referiu sentir-se sozinha. Mostrou-se emotiva e esboçou choro, pausando a fala. Sobre a depressão nos idosos, assinale a afirmativa correta.
GDS = ferramenta confiável para triagem de depressão em idosos, essencial na APS.
A depressão em idosos frequentemente se manifesta de forma atípica, com sintomas somáticos e anedonia, sendo subdiagnosticada. A Escala de Depressão Geriátrica (GDS) é uma ferramenta validada e prática para a triagem na Atenção Primária, auxiliando na detecção precoce e manejo adequado.
A depressão em idosos é um problema de saúde pública crescente, com prevalência significativa e impacto substancial na qualidade de vida, funcionalidade e mortalidade. Fatores como luto, isolamento social, doenças crônicas e polifarmácia contribuem para sua etiologia multifatorial. É crucial que profissionais de saúde, especialmente na Atenção Primária, estejam aptos a reconhecer e manejar essa condição. A apresentação clínica da depressão em idosos pode ser sutil e atípica, muitas vezes dominada por queixas somáticas, fadiga, anedonia (perda de interesse ou prazer) e alterações cognitivas, em vez de tristeza explícita. Isso dificulta o diagnóstico, que pode ser confundido com demência ou comorbidades físicas. A Escala de Depressão Geriátrica (GDS) é uma ferramenta de triagem validada e amplamente utilizada, que ajuda a identificar pacientes em risco e a direcionar para uma avaliação diagnóstica mais completa. O tratamento da depressão em idosos envolve uma abordagem multidisciplinar, incluindo farmacoterapia (com cautela devido a comorbidades e polifarmácia, preferindo-se inibidores seletivos da recaptação de serotonina - ISRS), psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental) e intervenções sociais. A relação médico-paciente e o apoio familiar são fundamentais para o sucesso terapêutico, e o acompanhamento contínuo na APS é essencial para monitorar a resposta e prevenir recaídas.
Em idosos, a depressão pode se manifestar com mais queixas somáticas (dores, fadiga), anedonia, isolamento social, alterações cognitivas e insônia, em vez da tristeza proeminente observada em adultos mais jovens.
A GDS é um questionário de triagem para depressão em idosos, com versões de 15 ou 30 perguntas, que o paciente responde "sim" ou "não". Pontuações elevadas indicam provável depressão e necessidade de avaliação mais aprofundada.
É subdiagnosticada devido à apresentação atípica dos sintomas, à tendência de idosos e familiares em normalizar o sofrimento como parte do envelhecimento, e à presença de múltiplas comorbidades que podem mascarar os sintomas depressivos.
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