SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Homem de 80 anos, viúvo, aposentado e analfabeto, mora com a filha e comparece ao Posto de Saúde para consulta de rotina. Antecedentes: hipertensão, diabetes, osteoartrose de joelhos, obesidade, glaucoma e retinopatia diabética. Traz exames com hemograma, perfil glicêmico e lipídico, função renal e tireoidiana, todos normais. Filha refere que no último ano o paciente tem necessitado de ajuda para manejo das medicações e atividades fora do domicílio. Pouco sai de casa e não demonstra mais interesse em sua vida cotidiana. Qual a provável causa da dificuldade em atividades do dia a dia e a abordagem inicial?
Idoso com perda funcional, apatia e desinteresse, com exames normais → suspeitar de depressão. Usar GDS para rastreio.
Em idosos, a depressão pode se manifestar de forma atípica, com sintomas como perda de interesse (anhedonia), apatia e dificuldades em atividades diárias, em vez de tristeza explícita. Diante de exames laboratoriais normais e queixas funcionais e de desinteresse, o transtorno depressivo deve ser a principal suspeita, e a Escala de Depressão Geriátrica (GDS) é uma ferramenta útil para rastreio.
A saúde do idoso é complexa, e a avaliação geriátrica ampla (AGA) é fundamental para identificar síndromes geriátricas e condições que afetam a funcionalidade e qualidade de vida. A depressão em idosos é uma condição prevalente e frequentemente subdiagnosticada, pois seus sintomas podem ser atípicos e se sobrepor a outras comorbidades ou serem erroneamente atribuídos ao processo normal de envelhecimento (senescência). A perda de interesse em atividades cotidianas (anhedonia), apatia e a necessidade de ajuda para tarefas que antes eram independentes, na ausência de alterações significativas em exames laboratoriais, são fortes indicativos de um transtorno depressivo. O diagnóstico da depressão em idosos requer uma abordagem cuidadosa. A Escala de Depressão Geriátrica (GDS - Geriatric Depression Scale) é uma ferramenta de rastreio validada e amplamente utilizada, que pode auxiliar na identificação de pacientes com sintomas depressivos. É importante ressaltar que o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) avalia cognição e não é a ferramenta primária para depressão, embora déficits cognitivos possam coexistir ou ser mascarados pela depressão. A abordagem inicial deve incluir a aplicação de escalas de rastreio como a GDS e, se positivo, a confirmação diagnóstica e o início do tratamento adequado. O manejo da depressão em idosos pode envolver terapia farmacológica (antidepressivos, com cautela devido a polifarmácia e sensibilidade a efeitos adversos) e não farmacológica (psicoterapia, atividades físicas e sociais). A intervenção precoce é crucial para melhorar a funcionalidade, a qualidade de vida e prevenir complicações associadas à depressão não tratada.
Em idosos, a depressão pode se manifestar com queixas somáticas, fadiga, perda de apetite, insônia, irritabilidade, apatia e perda de interesse em atividades, em vez de tristeza franca. Esses sintomas podem ser erroneamente atribuídos ao envelhecimento normal ou a comorbidades.
A GDS é uma ferramenta de rastreio validada para depressão em idosos, especialmente útil para aqueles com dificuldades cognitivas leves ou que não expressam tristeza abertamente. Ela ajuda a identificar pacientes que necessitam de uma avaliação diagnóstica mais aprofundada.
Embora possam coexistir, a depressão pode causar pseudodemência, com queixas cognitivas que melhoram com o tratamento antidepressivo. O déficit cognitivo na demência tende a ser progressivo e persistente. A avaliação neuropsicológica e o acompanhamento são cruciais para o diagnóstico diferencial.
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