INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma mulher de 34 anos com diagnóstico de depressão procurou a unidade de saúde da família (UBS) onde você trabalha. Com base no prontuário da paciente, você observou que ela faz acompanhamento na unidade há 10 meses com outro médico da unidade. A paciente consulta sozinha, mas chegou à unidade acompanhada da irmã, com quem ela mora e que está bastante preocupada. A paciente tem sintomas de humor deprimido, fatigabilidade e choro fácil; está em uso de 40 mg/dia de fluoxetina nos últimos 6 meses, tendo apresentado discreta melhora. Segundo a paciente, há 1 mês, aproximadamente, começou a ouvir vozes e ver alguns vultos, e tem pensado em se matar, mas sem plano.Nesse caso, qual é a conduta adequada?
Depressão com sintomas psicóticos + ideação suicida → Referência urgente ao CAPS para manejo especializado.
A paciente apresenta uma descompensação do quadro depressivo, com surgimento de sintomas psicóticos (vozes, vultos) e ideação suicida, mesmo sem plano. Essa situação configura uma emergência psiquiátrica que excede a capacidade de manejo da UBS e requer avaliação e tratamento em um serviço especializado, como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferece equipe multiprofissional e manejo de crise.
A depressão é um transtorno mental comum, mas que pode evoluir para quadros graves, especialmente quando há o surgimento de sintomas psicóticos e ideação suicida. A presença de alucinações (ouvir vozes, ver vultos) em um contexto depressivo caracteriza um episódio depressivo maior com características psicóticas, que é uma condição grave e exige intervenção especializada. A ideação suicida, mesmo sem um plano concreto, é um sinal de alerta máximo e deve ser tratada como uma emergência psiquiátrica. Nesse cenário, a Unidade de Saúde da Família (UBS) tem um papel crucial na identificação e no primeiro acolhimento, mas o manejo de uma descompensação psiquiátrica com sintomas psicóticos e risco de suicídio excede a capacidade de tratamento exclusivo da atenção primária. A fluoxetina, mesmo em dose de 40 mg/dia, pode não ser suficiente para controlar um quadro com características psicóticas, que geralmente requer a adição de um antipsicótico e/ou a otimização da terapia antidepressiva sob supervisão especializada. A conduta mais adequada é a referência imediata para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). O CAPS oferece uma equipe multiprofissional (médicos psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais) capaz de realizar uma avaliação aprofundada do risco, manejo da crise, ajuste medicamentoso e acompanhamento intensivo. A internação hospitalar psiquiátrica ou em hospital geral é uma medida mais restritiva e deve ser considerada apenas se o risco for iminente e incontrolável em ambiente ambulatorial, após a avaliação e tentativa de manejo no CAPS.
Sinais de alerta incluem o surgimento de sintomas psicóticos (alucinações, delírios), aumento da intensidade do humor deprimido, anedonia grave, alterações do sono e apetite, e, crucialmente, qualquer menção a ideação suicida, mesmo sem um plano concreto. A falta de resposta ao tratamento otimizado também é um sinal.
A conduta inicial é garantir a segurança do paciente e realizar uma avaliação de risco. Em seguida, a referência urgente para um serviço especializado em saúde mental, como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), é fundamental para que uma equipe multiprofissional possa realizar o manejo da crise e otimizar o tratamento.
A internação psiquiátrica é indicada em situações de risco iminente de suicídio com plano definido e meios, risco de heteroagressão, grave comprometimento da autoproteção ou falha do tratamento ambulatorial intensivo. Ela deve ser considerada após a avaliação em um serviço especializado e como último recurso, priorizando o tratamento em liberdade.
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