Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Mulher de 56 anos relata tristeza persistente, insônia e falta de apetite nos últimos 2 meses. Está na pós-menopausa e sem histórico de transtornos psiquiátricos. Qual hipótese diagnóstica deve ser considerada prioritariamente?
Início de sintomas depressivos na pós-menopausa → Considerar depressão associada ao climatério.
A transição hormonal no climatério aumenta a vulnerabilidade a transtornos do humor, exigindo rastreio ativo de depressão em mulheres nessa faixa etária com sintomas afetivos novos.
O climatério é um período de transição endócrina que predispõe a alterações neurobiológicas significativas. A redução do estradiol impacta a regulação do humor, podendo desencadear ou agravar quadros depressivos. É fundamental que o clínico diferencie o 'blues' da menopausa de um Transtorno Depressivo Maior, que exige intervenção farmacológica e psicoterápica específica. O manejo deve ser multidisciplinar, considerando as contraindicações para TRH e a gravidade dos sintomas psiquiátricos apresentados pela paciente. O rastreio deve ser rotineiro em consultas ginecológicas de mulheres acima de 45-50 anos, utilizando ferramentas como o PHQ-9 para identificar precocemente o declínio da saúde mental.
A flutuação e subsequente queda dos níveis de estrogênio durante o climatério e a menopausa podem afetar sistemas de neurotransmissores, como o serotoninérgico e o noradrenérgico, aumentando o risco de episódios depressivos em mulheres vulneráveis. Além dos fatores biológicos, fatores psicossociais associados a essa fase da vida, como a síndrome do ninho vazio e mudanças na autoimagem, também contribuem significativamente para o quadro clínico, exigindo uma abordagem biopsicossocial.
Sintomas vasomotores, como os fogachos, frequentemente causam insônia secundária e irritabilidade, mas a depressão no climatério envolve tristeza persistente, anedonia, desesperança e sentimentos de culpa que persistem independentemente da melhora do sono ou da temperatura corporal. O diagnóstico clínico deve seguir os critérios do DSM-5 para Transtorno Depressivo Maior, observando se os sintomas interferem de forma significativa na funcionalidade da paciente.
O tratamento padrão envolve o uso de antidepressivos, preferencialmente Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) ou de Serotonina e Noradrenalina (ISRN), associados à psicoterapia. Em casos específicos, a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) pode auxiliar na melhora do humor e dos sintomas somáticos, mas não deve ser utilizada como monoterapia para depressão maior estabelecida, servindo apenas como adjuvante sob supervisão ginecológica.
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