HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022
O Pedro Paulo, de 36 anos, recorre à consulta com o seu médico de família por queixas de fadiga e insônia desde há alguns meses. Acompanha-o a sua mulher, que manifesta o seu desagrado face aos consumos de álcool de Pedro: "ultimamente ele está bebendo demais. Já tirei todas as bebidas lá de casa e tive que passar nos cafés e mini-mercados do bairro para pedir para não lhe venderem mais álcool" (sic). Trabalha como vendedor numa empresa onde, segundo a mulher, por várias vezes tem sido alertado pelo hálito etanólico e incumprimento das tarefas que lhe são exigidas, o que resulta em conflitos também em casa. O Sr. Pedro Paulo interrompe-a para negar estas afirmações. Qual das seguintes questões colocadas para O Sr. Pedro Paulo lhe parece a mais específica e adequada, para tratar-se de uma dependência de álcool?
Para dependência de álcool, questões sobre desejo de mudança (ex: 'pensou em deixar de beber?') são mais eficazes que quantificação.
Em casos de suspeita de dependência de álcool, especialmente com negação do paciente, perguntas que exploram o desejo de mudança ou a percepção do problema ('Alguma vez pensou em deixar de beber?') são mais eficazes do que perguntas quantitativas, pois abordam a fase de prontidão para a mudança e podem abrir caminho para a entrevista motivacional.
A dependência de álcool é um transtorno crônico e multifatorial que afeta milhões de pessoas globalmente, com sérias consequências para a saúde física, mental e social. O diagnóstico e a abordagem inicial são cruciais na atenção primária e em outros níveis de cuidado. Frequentemente, os pacientes com dependência de álcool apresentam negação do problema, o que dificulta a adesão ao tratamento. A abordagem de um paciente com suspeita de dependência de álcool deve ser empática e não confrontacional, especialmente quando há negação. Perguntas diretas sobre a quantidade de álcool consumida podem gerar resistência. Em vez disso, a entrevista motivacional é uma ferramenta eficaz para explorar a ambivalência do paciente em relação ao uso de álcool e fortalecer sua motivação intrínseca para a mudança. Perguntas que abordam a percepção do problema e o desejo de mudança, como "Alguma vez pensou em deixar de beber?", são mais eficazes para iniciar a discussão. Elas permitem que o paciente reflita sobre as consequências do seu consumo e considere a possibilidade de mudança, sem se sentir atacado. A identificação dos estágios de mudança (pré-contemplação, contemplação, preparação, ação, manutenção) é fundamental para guiar a intervenção, adaptando a abordagem à prontidão do paciente.
Essa pergunta explora a prontidão do paciente para a mudança, um conceito central na entrevista motivacional. Ela permite ao paciente refletir sobre seu consumo sem se sentir julgado ou confrontado, facilitando a abertura para discutir o problema.
A negação pode se manifestar como minimização do consumo, racionalização, culpar outros, irritação ao ser questionado, ou recusa em admitir que o álcool causa problemas, mesmo diante de evidências claras.
A entrevista motivacional é uma abordagem centrada no paciente que visa fortalecer a motivação intrínseca para a mudança, explorando e resolvendo a ambivalência. Ela utiliza técnicas como escuta reflexiva, expressar empatia e desenvolver discrepância para guiar o paciente.
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