HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023
Homem, 45 anos, procura emergência com história de febre há 2 dias e mialgias intensas. Ao exame físico, apresenta discreto rash maculopapular, sem outros achados relevantes. Os exames complementares revelaram plaquetopenia (80.000 plaquetas/mm³), TGO 290 UI/L e TGP 365 UI/L. Em relação ao caso, afirma-se:I. Para confirmação de um diagnóstico de dengue, deve ser solicitado, até o sétimo dia, o teste ELISA igM para dengue.II. A contagem de plaquetas e a alteração apresentada nos exames de função hepática indicam mau prognóstico da doença.III. Entre as hipóteses diagnósticas para o caso, devemos considerar Zika, Chikungunya, dengue e febre amarela, sendo fundamental o conhecimento da situação epidemiológica do local de residência do paciente. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s):
Plaquetopenia (<100.000) e ↑ transaminases (>200) na dengue = sinais de alarme, indicam mau prognóstico. Epidemiologia local crucial para arboviroses.
A plaquetopenia (<100.000/mm³) e a elevação das transaminases (TGO/TGP > 200 UI/L ou 3x o limite superior) são considerados sinais de alarme na dengue, indicando um risco aumentado de evolução para formas graves da doença. O diagnóstico diferencial com outras arboviroses (Zika, Chikungunya, Febre Amarela) é fundamental e depende muito da situação epidemiológica local.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, com manifestações clínicas que variam de formas assintomáticas a quadros graves e fatais. O reconhecimento precoce dos sinais de alarme é fundamental para o manejo adequado e para reduzir a mortalidade. A plaquetopenia (abaixo de 100.000 plaquetas/mm³) e a elevação das transaminases (TGO e TGP acima de 200 UI/L ou 3x o limite superior da normalidade) são indicadores importantes de mau prognóstico e devem alertar o clínico para a necessidade de monitoramento rigoroso. O diagnóstico laboratorial da dengue deve ser guiado pela fase da doença. O teste NS1 é útil nos primeiros 5 dias de sintomas, enquanto o ELISA IgM é mais sensível a partir do 5º-7º dia. É um erro comum solicitar apenas IgM nos primeiros dias, perdendo a oportunidade de um diagnóstico precoce. Além da dengue, outras arboviroses como Zika, Chikungunya e febre amarela apresentam quadros clínicos semelhantes, tornando o diagnóstico diferencial um desafio. A situação epidemiológica do local de residência do paciente é um fator determinante para direcionar as hipóteses diagnósticas e as investigações complementares. Para residentes, é essencial dominar a classificação da dengue (com e sem sinais de alarme, grave), os critérios laboratoriais de gravidade e a abordagem diagnóstica e terapêutica das arboviroses, sempre considerando o contexto epidemiológico local.
Os principais sinais de alarme da dengue incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hipotensão postural, letargia/irritabilidade, hepatomegalia, sangramentos de mucosas, e achados laboratoriais como plaquetopenia (<100.000/mm³) e elevação do hematócrito. Eles indicam risco de progressão para dengue grave e choque.
Nos primeiros 5 dias de sintomas, o diagnóstico pode ser feito pela detecção do antígeno NS1 ou por RT-PCR. Após o 5º-7º dia, a detecção de anticorpos IgM por ELISA torna-se mais sensível. A soroconversão de IgG também pode ser utilizada em amostras pareadas.
O conhecimento da situação epidemiológica local é crucial porque muitas arboviroses (dengue, Zika, Chikungunya, febre amarela) compartilham sintomas inespecíficos como febre, mialgia e rash. Saber quais vírus estão circulando na região ajuda a guiar o diagnóstico diferencial e a conduta terapêutica, além de ser importante para a vigilância em saúde pública.
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