Dengue: Sinais de Alarme e Conduta Inicial Urgente

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2022

Enunciado

VFI, 68 anos, sexo masculino, procedente de Cajazeiras chega ao pronto socorro com história de febre de inicio súbito há três dias, associado a cefaléia, artralgia e mialgia intensa. Hoje pela manhã, ao se levantar, apresentou tontura. Ao exame físico: REG, desidratado +/4+, T: 39°C, Fr16ipm, FC 100 bpm, PA 130x80 mmhg em duas posições. Abdome indolor sem VCM e sem outras alterações no exame. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta inicial:

Alternativas

  1. A) Dengue. Iniciar analgesia e hidratação oral.
  2. B) Dengue. Orientar internamento devido a tontura.
  3. C) Dengue. Solicitar Hemograma completo e reavaliar.
  4. D) Dengue. Iniciar analgesia, hidratação oral e solicitar sorologia com 7 dias.
  5. E) Dengue. Solicitar Hemograma completo e sorologia para definir conduta.

Pérola Clínica

Dengue com tontura/desidratação (sinais de alarme) → Hemograma completo urgente para avaliar gravidade e definir conduta.

Resumo-Chave

Em casos suspeitos de dengue com sinais de alarme como tontura ou desidratação, a prioridade é a avaliação da gravidade. O hemograma completo é essencial para identificar hemoconcentração e plaquetopenia, que são marcadores de extravasamento plasmático e risco de choque, guiando a decisão entre manejo ambulatorial e internação.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, com manifestações clínicas que variam de quadros leves a formas graves. A identificação precoce dos sinais de alarme é fundamental para prevenir a progressão para a dengue grave, que pode levar ao choque e óbito. Sinais como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, letargia, e tontura (sugerindo hipotensão postural ou desidratação) indicam a necessidade de monitoramento rigoroso. O manejo inicial da dengue envolve a classificação do paciente em grupos de risco (A, B, C ou D) com base nos sintomas, sinais de alarme e comorbidades. Para pacientes com sinais de alarme, como o descrito na questão, a solicitação de um hemograma completo é imperativa. Este exame permite avaliar o hematócrito (indicador de hemoconcentração e extravasamento plasmático) e a contagem de plaquetas (indicador de risco de sangramento), que são parâmetros cruciais para definir a necessidade de hidratação venosa e internação. Embora a sorologia seja importante para a confirmação diagnóstica, ela não deve atrasar a conduta inicial, que é guiada pela clínica e pelo hemograma. A hidratação adequada, seja oral ou venosa, é a pedra angular do tratamento da dengue, visando repor perdas e prevenir o choque. Residentes devem estar aptos a realizar essa avaliação e manejo de forma rápida e eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme da dengue que indicam gravidade?

Os sinais de alarme da dengue incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito.

Qual a importância do hemograma no manejo da dengue?

O hemograma é crucial para avaliar a hemoconcentração (aumento do hematócrito), que indica extravasamento plasmático, e a plaquetopenia, que pode preceder sangramentos. Ambos são marcadores de gravidade e guiam a necessidade de internação e hidratação venosa.

Quando a sorologia para dengue deve ser solicitada?

A sorologia para dengue (IgM/IgG) geralmente se torna positiva a partir do 6º-7º dia de sintomas. Antes disso, o teste NS1 pode ser útil nos primeiros 5 dias de doença. A decisão de conduta inicial, no entanto, é baseada principalmente nos sinais clínicos e no hemograma.

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