FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 12 anos de idade, previamente hígido, é atendido no pronto-socorro devido a quadro de febre há 4 dias, associada a dor retro-orbitária, mialgia e dor abdominal intermitente. Ao exame físico, médico notou criança em regular estado geral, corado, hidratado no limiar, anictérico, afebril, sem edemas e sem sinais meníngeos. Apresentava ainda prova do laço positiva. Restante do exame físico dentro da normalidade. Solicitado hemograma e encaminhado à sala de espera para hidratação oral até resultado, liberado após 1 hora de espera, com os seguintes resultados: Hemograma: Hm: 4 milhões; Hb: 12,5g%; HT: 50%; VCMfl: 90; HCMpg: 80; CHCM: 35%; GL: 2500/mm³ (30%neu/ 50%linf/ 3%eos/ 7%bas/ 10%mon); plaq: 90.000 mm³. Com relação ao quadro clínico descrito acima e ao resultado do exame, assinale a alternativa CORRETA.
Dengue: Hematócrito ↑ e dor abdominal → Sinais de alarme, hidratação EV imediata (Grupo C).
A elevação do hematócrito, mesmo que no limite superior da normalidade para adultos, é um sinal de hemoconcentração e, juntamente com a dor abdominal, indica um sinal de alarme na dengue, exigindo hidratação endovenosa imediata para prevenir o choque. A plaquetopenia e leucopenia são achados comuns, mas a transfusão de plaquetas não é rotineira.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública brasileira, com apresentações clínicas que variam de formas assintomáticas a quadros graves com risco de morte. A identificação precoce dos sinais de alarme é crucial para a prevenção da progressão para as formas graves da doença, como o choque por dengue. Os sinais de alarme indicam extravasamento plasmático e/ou sangramentos, e incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade, hipotensão postural, hepatomegalia e, de forma muito importante, a elevação progressiva do hematócrito. A prova do laço positiva, embora indicativa de fragilidade capilar, não é um sinal de alarme por si só, mas reforça a suspeita de dengue. Diante de um paciente com suspeita de dengue e a presença de qualquer sinal de alarme, a conduta imediata é a internação hospitalar e o início de hidratação endovenosa vigorosa com cristaloides. A elevação do hematócrito (no caso, 50% em uma criança de 12 anos é significativo) é um forte indicativo de hemoconcentração, que, associada à dor abdominal, classifica o paciente no Grupo C de manejo, exigindo monitoramento intensivo e reposição volêmica para evitar o choque. A plaquetopenia é comum na dengue, mas a transfusão de plaquetas é reservada para sangramentos ativos graves ou procedimentos invasivos, não sendo indicada apenas pela contagem baixa.
Os principais sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia >2cm, hipotensão postural e, crucialmente, hemoconcentração (elevação do hematócrito).
A elevação do hematócrito indica hemoconcentração, que é um sinal de extravasamento plasmático. Este extravasamento pode levar rapidamente ao choque hipovolêmico se não for corrigido com hidratação endovenosa adequada.
A conduta inicial é a internação e o início imediato de hidratação endovenosa com cristaloides (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato), conforme os protocolos do Ministério da Saúde para o Grupo C de dengue, monitorando rigorosamente os sinais vitais e o hematócrito.
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