HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Homem de 35 anos de idade comparece à emergência por febre, mialgia e petéquias há 2 dias. Nega comorbidades prévias ou uso de medicações. Ao exame clínico, está corado, hidratado, acianótico, anictérico, febril (temperatura axilar de 38,1ºC) e eupneico. A pressão arterial é de 120x80mmHg, frequência cardíaca de 98bpm, frequência respiratória de 18irpm, saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente e tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Os pulsos radiais estão cheios e simétricos. Apresenta petéquias em tronco e membros, sem outras alterações. Foi feita administração de antitérmico, hidratação oral e coleta de exames, que mostraram: hemoglobina 13,4g/dL (VR 13 - 18g/dL); hematócrito de 40% (VR 39,2 - 49,0%); leucócitos de 9.800/mm³ (VR 4.000 - 11.000/mm³); plaquetas de 230.000/mm³; ureia de 45mg/dL (VR 10 - 50mg/dL); creatinina de 0,9mg/dL (VR 0,7 - 1,3mg/dL); sódio de 135mEq/L (VR 136 - 145mEq/L) e potássio de 4,3mEq/L (VR 3,5 - 5,1mEq/L). Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?
Dengue sem sinais de alarme → hidratação oral, sintomáticos, alta com reavaliação em 24h.
O paciente apresenta quadro clínico e laboratorial compatível com dengue sem sinais de alarme ou gravidade. A conduta inicial é o manejo ambulatorial com hidratação oral vigorosa, sintomáticos e orientação para retorno imediato em caso de sinais de alarme, com reavaliação programada em 24 horas.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública brasileira, com manifestações clínicas variadas. A classificação de risco é essencial para guiar a conduta, dividindo os pacientes em grupos A, B, C e D, conforme a presença de sinais de alarme, condições clínicas especiais ou sinais de choque. O manejo adequado, especialmente a hidratação, é a pedra angular do tratamento e pode prevenir a progressão para formas graves da doença. A fisiopatologia da dengue envolve a replicação viral e a resposta imune do hospedeiro, que pode levar ao aumento da permeabilidade vascular, extravasamento plasmático e, em casos graves, choque. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, com suporte laboratorial. A suspeita deve ser alta em regiões endêmicas, com febre e dois ou mais sintomas como mialgia, cefaleia, dor retro-orbital, exantema ou petéquias. A ausência de sinais de alarme, como no caso apresentado, indica um quadro mais brando. O tratamento da dengue é sintomático e de suporte. Para pacientes sem sinais de alarme (Grupo A e B1), a hidratação oral é a principal medida, juntamente com o uso de analgésicos e antitérmicos (evitando AINEs). A orientação sobre sinais de alarme e a necessidade de retorno imediato ao serviço de saúde são cruciais. O prognóstico é geralmente bom para casos leves, mas a vigilância é constante devido ao risco de agravamento súbito.
Os sinais de alarme para dengue incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm, hipotensão postural, e aumento progressivo do hematócrito com queda das plaquetas.
A hidratação venosa é indicada para pacientes com dengue que apresentam sinais de alarme, choque, impossibilidade de hidratação oral adequada, ou desidratação grave. Nesses casos, a reposição volêmica rápida é crucial.
A reavaliação em 24 horas é fundamental para monitorar a evolução clínica do paciente, identificar precocemente o surgimento de sinais de alarme e garantir a adesão à hidratação oral, prevenindo a progressão para formas mais graves da doença.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo