IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2024
Um paciente de 5 anos é levado ao pronto-socorro pediátrico com queixa de febre alta há 3 dias, cefaleia e dor retro-orbitária, evoluindo com vômitos persistentes e dor abdominal. Ao exame físico, a criança encontrava-se consciente, taquipneica, com perfusão periférica de 4 segundos e turgor diminuído. Há presença de petéquias no antebraço. A pressão arterial está normal e não há sangramentos ativos. A diurese está reduzida. Nesse contexto, assinale a alternativa correta em relação ao quadro.
Dengue com sinais de alarme (vômitos, dor abdominal, perfusão ↓, diurese ↓) → Expansão volêmica imediata 20-30 mL/kg SF 0,9%.
O paciente apresenta múltiplos sinais de alarme para dengue grave, incluindo vômitos persistentes, dor abdominal, perfusão periférica prolongada e diurese reduzida, indicando desidratação e risco iminente de choque. A conduta imediata é a expansão volêmica agressiva com cristaloides isotônicos.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais. Em crianças, a doença pode progredir rapidamente para formas graves, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave (choque por dengue, sangramento grave, comprometimento de órgãos). A identificação precoce dos sinais de alarme é fundamental para um manejo adequado e para reduzir a mortalidade. A fisiopatologia da dengue grave envolve o extravasamento plasmático devido ao aumento da permeabilidade capilar, levando à hipovolemia e, se não tratada, ao choque. Os sinais de alarme indicam o início dessa fase crítica. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, com suporte laboratorial. A suspeita deve ser alta em crianças com febre em áreas endêmicas, especialmente com sintomas como dor abdominal, vômitos persistentes, e sinais de má perfusão. O tratamento da dengue com sinais de alarme e da dengue grave é baseado na reposição volêmica agressiva com cristaloides isotônicos (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato). A expansão deve ser iniciada rapidamente com bolus de 20 a 30 mL/kg, podendo ser repetida até 60 mL/kg nas primeiras horas, monitorando a resposta clínica. O objetivo é restaurar a perfusão e a diurese, evitando a sobrecarga hídrica.
Os principais sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm, hipotensão postural, derrames cavitários e aumento progressivo do hematócrito.
A expansão volêmica é crucial para reverter a hipovolemia causada pelo extravasamento plasmático característico da dengue grave, prevenindo o choque e a falência de múltiplos órgãos.
Drogas vasoativas são consideradas apenas se o paciente permanecer em choque refratário após a administração adequada de fluidos intravenosos, indicando falha da reposição volêmica em restaurar a perfusão.
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