Dengue Pediátrica: Diagnóstico e Conduta Inicial

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Escolar de 8 anos, feminino, com queixa de febre de início súbito de 39°C associado a cefaleia, mialgia e prostração há 2 dias. Nega vômitos, diarreia ou outros sintomas. Ao exame físico está normotensa, pulsos periféricos cheios e simétricos com tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Apresenta exantema maculopapular em tronco e face, além de petéquias em membros inferiores e superiores, e sem sinais meníngeos. Sem outros achados ao exame físico. Com base na principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa que contenha a melhor conduta inicial.

Alternativas

  1. A) Coletar líquor e iniciar antibioticoterapia endovenosa.
  2. B) Coletar sorologia e dar alta para o tratamento domiciliar.
  3. C) Coletar hemograma e iniciar hidratação oral na unidade de saúde.
  4. D) Coletar hemocultura, medicar com antitérmico e observar em pronto socorro.

Pérola Clínica

Criança com febre, exantema, petéquias e sem sinais de alarme → Dengue provável, iniciar hidratação oral e hemograma.

Resumo-Chave

O quadro clínico (febre, cefaleia, mialgia, prostração, exantema, petéquias) em uma criança de 8 anos é altamente sugestivo de dengue. A ausência de sinais de alarme (normotensa, pulsos cheios, TEC < 2s) indica que a conduta inicial deve ser hidratação oral e coleta de hemograma para monitoramento, sem necessidade de internação imediata ou antibioticoterapia.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais. Em crianças, a apresentação clínica pode ser variada, desde quadros febris inespecíficos até formas graves. O caso descrito, com febre súbita, cefaleia, mialgia, prostração, exantema maculopapular e petéquias, é clássico de dengue, especialmente em áreas endêmicas. A ausência de sinais de alarme (como hipotensão, pulsos débeis ou tempo de enchimento capilar prolongado) é crucial para a classificação de risco. A conduta inicial na dengue é baseada na classificação de risco. Pacientes sem sinais de alarme devem ser classificados como Grupo A ou B (dependendo da presença de comorbidades ou condições sociais), e o tratamento principal é a hidratação oral vigorosa, além de sintomáticos para febre e dor. A coleta de hemograma é fundamental para monitorar a contagem de plaquetas e o hematócrito, que são indicadores importantes da evolução da doença. É um erro comum superestimar a gravidade de petéquias isoladas sem outros sinais de choque ou sangramento ativo. A hidratação oral precoce e adequada é a medida mais importante para prevenir a progressão para as formas graves da doença, como a dengue com sinais de alarme ou a dengue grave, que exigem internação e hidratação venosa.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas comuns da dengue em crianças?

Em crianças, a dengue pode se manifestar com febre súbita, cefaleia, mialgia, prostração, exantema maculopapular e petéquias. Sintomas gastrointestinais como dor abdominal e vômitos também são frequentes.

Quando a hidratação oral é a conduta inicial adequada para dengue?

A hidratação oral é a conduta inicial para pacientes com dengue sem sinais de alarme, que conseguem ingerir líquidos e não apresentam vômitos persistentes. É crucial para prevenir a desidratação e a progressão para formas mais graves.

Quais são os sinais de alarme da dengue que indicam necessidade de internação?

Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm, hipotensão postural, e aumento progressivo do hematócrito.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo