Dengue Pediátrica: Manejo e Exames Essenciais em Crianças

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Criança, do sexo masculino, em fase pré-escolar, com 4 anos de idade, foi levado para atendimento na emergência devido a queixas de febre, perda do apetite, dores nas pernas, cefaleia e vômitos há 72 horas. No dia desse atendimento apresentou manchas na pele, dor abdominal e epistaxe. No exame, encontrava-se hidratado, eupneico, corado, orientado, com exantema maculopapular em tronco e membros e algumas petéquias, além de epistaxe. A palpação do abdome evidenciou dor difusa e intensa sem sinais de irritação peritoneal tendo o restante do exame físico normal.Assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) Os exames laboratoriais obrigatórios para avaliação desse paciente são hemograma completo, dosagem de albumina sérica e transaminases.
  2. B) A pesquisa da prova do laço, nesse caso, é obrigatória para identificação de fragilidade capilar.
  3. C) De acordo com o Ministério da Saúde, reposição volêmica por via oral deve ser prescrita, para essa criança, num volume diário de 100 ml/kg/dia.
  4. D) Após iniciada a reposição volêmica, o surgimento de derrame cavitário sugere hiper-hidratação e indica a suspensão do soro fisiológico, independentemente de outros parâmetros clínicos ou laboratoriais.
  5. E) Como essa criança pertence a um grupo de risco (menores de cinco anos), mesmo não apresentando sinais de alarme, deve-se aguardar a confirmação do diagnóstico antes da alta hospitalar.

Pérola Clínica

Criança com suspeita de dengue e sinais de alarme → hemograma, albumina e transaminases são exames laboratoriais obrigatórios.

Resumo-Chave

Em crianças com suspeita de dengue e sinais de alarme (dor abdominal intensa, epistaxe, exantema com petéquias), a avaliação laboratorial é essencial para monitorar a gravidade. Hemograma completo (para plaquetas e hematócrito), albumina sérica (para avaliar extravasamento plasmático) e transaminases (para função hepática) são cruciais para o manejo.

Contexto Educacional

A dengue é uma doença febril aguda de etiologia viral, com grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais. Em crianças, a apresentação clínica pode ser atípica e a progressão para formas graves, como a dengue grave, pode ser rápida, tornando o reconhecimento precoce dos sinais de alarme e o manejo adequado cruciais. Crianças menores de cinco anos são consideradas grupo de risco. Os sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos (epistaxe, petéquias), letargia e derrames cavitários, indicam extravasamento plasmático e a necessidade de internação e monitoramento rigoroso. A avaliação laboratorial é fundamental nesse cenário. O hemograma completo permite monitorar a contagem de plaquetas e o hematócrito, que são indicadores importantes da gravidade e da necessidade de reposição volêmica. A dosagem de albumina sérica auxilia na avaliação do extravasamento plasmático, enquanto as transaminases (AST e ALT) são importantes para monitorar o envolvimento hepático, uma complicação comum da dengue. A reposição volêmica deve ser cuidadosamente planejada e monitorada para evitar tanto a hipovolemia quanto a hiper-hidratação, que pode levar a derrames cavitários e edema pulmonar. A alta hospitalar só deve ocorrer após a resolução dos sinais de alarme e estabilização clínica e laboratorial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme da dengue em crianças?

Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos (epistaxe, gengivorragia), letargia, irritabilidade, hepatomegalia e derrames cavitários, indicando extravasamento plasmático.

Por que o hemograma é crucial no manejo da dengue?

O hemograma é essencial para monitorar a contagem de plaquetas (indicador de gravidade) e o hematócrito (indicador de hemoconcentração e extravasamento plasmático), que guiam a reposição volêmica.

Qual a importância da dosagem de albumina e transaminases na dengue?

A albumina sérica pode indicar extravasamento plasmático, enquanto as transaminases (AST/ALT) avaliam o comprometimento hepático, comum na dengue, e são importantes para monitorar a evolução da doença.

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