Dengue Pediátrica: Sinais de Alarme, Diagnóstico e Manejo de Fluidos

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025

Enunciado

Criança de 2 anos, 12 kg, há 4 dias com picos febris associados à mialgia intensa e cefaleia retro-orbital, vem à consulta de urgência, pois iniciou com manchas de pele, descritas ao exame físico como púrpuras petequiais em tronco e membros, associadas à epistaxe. Não tem sinais de hipoperfusão, está sonolenta e com recusa alimentar. Considerando o caso apresentado, analise as assertivas a seguir:I. Os sinais e sintomas são sugestivos de arbovirose tipo dengue já na fase crítica, por existir sangramento.II. O exame laboratorial de eleição nesse momento para confirmar sua hipótese diagnóstica é a verificação sérica do antígeno-NS1.III. O aporte hídrico intravenoso de manutenção deve ter a vazão de 35 mL/h.Quais estão corretas?

Alternativas

  1. A) Apenas I e II.
  2. B) Apenas I e III.
  3. C) Apenas II e III.
  4. D) I, II e III.

Pérola Clínica

Dengue pediátrica com sangramento e sonolência → Fase crítica. Diagnóstico agudo: NS1. Hidratação: NÃO é apenas manutenção basal.

Resumo-Chave

A dengue em crianças pode evoluir rapidamente para a fase crítica, marcada por sinais de alarme como sangramentos e alterações de consciência. O diagnóstico precoce com NS1 é vital nos primeiros dias, e o manejo de fluidos deve ser agressivo, muito além da manutenção basal, para prevenir o choque.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública brasileira, especialmente em crianças, que podem apresentar quadros clínicos mais graves e de rápida progressão. É fundamental que residentes saibam reconhecer as fases da doença e, principalmente, os sinais de alarme que indicam a transição para a fase crítica, onde o risco de choque e óbito é maior. A fase crítica da dengue é caracterizada pelo extravasamento plasmático, que pode levar a hemoconcentração, derrames cavitários e choque. Sinais como sangramentos espontâneos (púrpura, epistaxe), dor abdominal intensa, vômitos persistentes e alterações do nível de consciência são indicativos de gravidade e exigem intervenção imediata. O diagnóstico laboratorial na fase aguda (primeiros 5-7 dias) é feito preferencialmente pela detecção do antígeno NS1. O manejo terapêutico é primordialmente de suporte, com ênfase na hidratação intravenosa agressiva com cristaloides, monitoramento rigoroso dos sinais vitais, balanço hídrico e exames laboratoriais (hematócrito, plaquetas). A falha em instituir uma hidratação adequada e precoce é uma das principais causas de desfechos desfavoráveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme da dengue em crianças que indicam a fase crítica?

Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos de mucosas (epistaxe, gengivorragia), letargia/irritabilidade, hepatomegalia dolorosa e queda abrupta da temperatura corporal.

Quando o antígeno NS1 é o exame de escolha para o diagnóstico de dengue?

O antígeno NS1 é o exame de escolha para o diagnóstico da dengue nos primeiros 5 a 7 dias de sintomas, ou seja, durante a fase febril e o início da fase crítica, devido à sua alta sensibilidade e especificidade nesse período.

Qual a abordagem inicial para o manejo de fluidos em crianças com dengue e sinais de alarme?

A abordagem inicial envolve a administração de cristaloides isotônicos (ex: soro fisiológico 0,9%) em bolus (10-20 mL/kg em 15-30 minutos), com reavaliação contínua. A hidratação deve ser monitorada de perto e ajustada conforme a resposta clínica, sendo muito mais agressiva que a manutenção basal.

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