INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma pré-escolar com 4 anos de idade é atendida no pronto-socorro com história de febre alta (40 °C) há 3 dias, indisposição e dores no corpo, vômitos e diarréia. No momento, queixa-se de dor abdominal intensa e contínua. Em seu exame físico, os resultados foram os seguintes: FC = 120 bpm, FR = 25 irpm, temperatura axilar = 37,5 °C, mucosas úmidas, coradas, anictéricas; ausculta cardíaca e respiratória normais, abdome levemente distendido, doloroso difusamente à palpação, sem sinais de irritação peritoneal, fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito. Há petéquias esparsas e exantema máculo-papular em face, tronco, membros superiores e inferiores, incluindo palmas das mãos. Suas extremidades estão aquecidas e bem perfundidas. Foi realizado hemograma que apresentou os seguintes valores: Ht = 45 % (valor de referência: 37 a 40 %); Hb = 15,2 g/dL (valor de referência: 12,6 ± 1,5 g/dL), leucócitos totais = 3 500/mm³ (valor de referência: 5 000 a 12 000/mm³, bastões = 2 %, segmentados = 50 %, linfócitos = 30 %, monócitos = 10 %, eosinófilos = 8 %, plaquetas = 50 000/mm³ (valor de referência: 150 000 a 450 000/mm³). Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta médica inicial adequados?
Dengue com sinais de alarme (dor abdominal intensa, hemoconcentração, plaquetopenia <100.000) → Grupo C, internação, hidratação IV.
A paciente apresenta sinais de alarme para dengue grave: dor abdominal intensa e contínua, hemoconcentração (Ht 45% vs VR 37-40%) e plaquetopenia (50.000/mm³). Isso a classifica como Dengue Grupo C, exigindo internação e hidratação parenteral rigorosa para prevenir choque.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Em crianças, a apresentação clínica pode ser atípica e a progressão para formas graves, como a dengue com sinais de alarme ou dengue grave, pode ser rápida. O reconhecimento precoce dos sinais de alarme é fundamental para um manejo adequado e para a redução da mortalidade. Os sinais de alarme, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, indicam extravasamento plasmático e risco de choque. No caso da pré-escolar, a dor abdominal intensa e contínua, a hemoconcentração (Ht elevado) e a plaquetopenia (<100.000/mm³) são critérios claros para classificar o caso como Dengue com Sinais de Alarme (Grupo C). Outros sinais incluem vômitos persistentes, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade e hepatomegalia. A conduta para pacientes classificados como Dengue Grupo C é a internação hospitalar para monitoramento rigoroso e hidratação parenteral com soro fisiológico 0,9%. A reposição volêmica intravenosa é crucial para combater o extravasamento plasmático e prevenir o choque hipovolêmico, que é a principal causa de óbito na dengue grave. A hidratação deve ser feita de forma cuidadosa, com reavaliações frequentes do estado hemodinâmico e dos exames laboratoriais (hematócrito e plaquetas).
Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia >2cm, hipotensão postural, e aumento progressivo do hematócrito com queda das plaquetas.
A dengue é classificada em grupos A, B, C e D, com base na presença de sinais de alarme ou choque. Essa classificação direciona a conduta, definindo se o paciente pode ser tratado ambulatorialmente (A, B) ou se requer internação e hidratação parenteral (C, D).
A hidratação parenteral é vital para repor o volume intravascular perdido devido ao extravasamento plasmático, que é a principal fisiopatologia da dengue grave. Isso previne o choque hipovolêmico e suas complicações.
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