INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Homem com 26 anos de idade procura atendimento na Unidade Básica de Saúde por apresentar, há três dias, febre alta, mialgia, astenia e náuseas. O paciente não relata comorbidades e nega uso de qualquer medicação. O paciente nega viagens recentes, contato com vetores ou com água potencialmente contaminada. O calendário vacinal está em dia. Exame físico: temperatura axilar = 38°C, estado geral bom, acianótico, anictérico, normocorado, pressão arterial sentado e deitado = 120x80 mmHg, frequência cardíaca = 106 bpm e peso = 70 kg. Apresenta exantema com padrão maculopapular, associado a prurido cutâneo generalizado, sem comprometimento da região palmar. Prova do laço apresenta resultado negativo. A região em que reside o paciente teve epidemia de dengue no ano anterior. A conduta mais adequada para esse paciente é:
Dengue Grupo A → Hidratação oral (60ml/kg/dia) + Sintomáticos + Notificação + Orientação de retorno.
Pacientes com suspeita de dengue sem sinais de alarme, comorbidades ou risco social são classificados como Grupo A, exigindo hidratação oral vigorosa e acompanhamento ambulatorial.
O manejo da dengue no Brasil segue o protocolo de estratificação de risco do Ministério da Saúde, que divide os pacientes em grupos (A, B, C e D) para otimizar o fluxo de atendimento e reduzir a mortalidade. O Grupo A representa a maioria dos casos em epidemias e o sucesso do tratamento depende quase exclusivamente da adesão do paciente à hidratação oral domiciliar e ao reconhecimento precoce de sinais de gravidade. A fisiopatologia da dengue envolve um aumento da permeabilidade vascular que pode levar ao extravasamento plasmático. No Grupo A, esse extravasamento ainda não é clinicamente significativo, mas a hidratação precoce é a medida preventiva mais eficaz contra o choque. A notificação é obrigatória para fins de vigilância epidemiológica e controle de vetores na região.
A hidratação deve ser de 60 ml/kg/dia. Para um adulto de 70 kg, isso equivale a aproximadamente 4,2 litros por dia. O Ministério da Saúde recomenda que 1/3 desse volume seja composto por solução salina (SRO) e os 2/3 restantes por líquidos caseiros como água, sucos e chás. A administração deve ser iniciada imediatamente na suspeita clínica, antes mesmo de resultados laboratoriais, para prevenir a hemoconcentração e a evolução para formas graves da doença.
O paciente é classificado no Grupo A quando apresenta febre e pelo menos dois sintomas inespecíficos (cefaleia, mialgia, exantema), mas não possui sinais de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hipotensão postural), não pertence a grupos de risco (idosos, gestantes, lactentes) e não apresenta condições clínicas especiais ou risco social. A prova do laço deve ser obrigatoriamente negativa para esta classificação inicial.
O paciente deve ser orientado sobre o repouso e a manutenção rigorosa da hidratação. É crucial entregar o cartão da dengue e explicar detalhadamente os sinais de alarme: dor abdominal forte e contínua, tontura ao levantar, sangramentos de mucosa e vômitos persistentes. Caso qualquer um desses surja, o paciente deve retornar imediatamente à unidade de saúde. A reavaliação clínica deve ocorrer no dia da defervescência (fim da febre) ou no 5º dia de doença.
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