Manejo da Dengue Grupo B em Pediatria

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Escolar de 6 anos, sexo feminino, é trazida à emergência com história de febre até 38,9 ºC, iniciada há 4 dias, cefaleia intensa, prostração e dor nas pernas. Nega outros sintomas. Ao exame físico encontrava-se prostrada, hidratada, corada. Prova do laço positiva. Pressão arterial de 106 x 68 mmHg; frequência cardíaca de 92 bpm, frequência respiratória de 26 irpm e temperatura axilar de 38 °C. Restante do exame físico sem alterações. Hemograma com hematócrito de 41%, 3 800 leucócitos e 160 000 plaquetas. Qual a conduta a ser realizada neste caso?

Alternativas

  1. A) Realizar sorologia para dengue para definir os próximos passos do tratamento.
  2. B) Liberar para tratamento domiciliar, orientando o retorno para reavaliação clínica no dia de melhora da febre.
  3. C) Indicar hidratação venosa, com 10 ml/kg na primeira hora de soro fisiológico ou ringer lactato.
  4. D) Iniciar hidratação por via oral, com cerca de 80 ml/kg/dia; nas primeiras 4 a 6 horas do atendimento, considerar a oferta de 1/3 do volume.

Pérola Clínica

Dengue + Prova do Laço (+) sem sinais de alarme = Grupo B → Hidratação Oral 80ml/kg/dia.

Resumo-Chave

Pacientes pediátricos com dengue classificados no Grupo B (prova do laço positiva ou condições especiais) devem iniciar hidratação oral imediata enquanto aguardam exames laboratoriais.

Contexto Educacional

A classificação da dengue pelo Ministério da Saúde é fundamental para definir o local de tratamento e a intensidade da hidratação. O caso descreve uma criança com febre, mialgia (dor nas pernas), cefaleia e prova do laço positiva, sem sinais de choque ou de alarme. O hematócrito de 41% e plaquetas de 160.000 ainda não indicam gravidade extrema, mas a prova do laço positiva a coloca no Grupo B. A conduta para o Grupo B pediátrico envolve hidratação oral imediata (80 ml/kg/dia, sendo 1/3 com soro de reidratação oral e 2/3 com líquidos claros) e a realização de hemograma. O paciente deve permanecer em observação até o resultado dos exames. Se o hematócrito estiver normal, pode seguir tratamento domiciliar com orientações rigorosas sobre sinais de alarme e retorno imediato se necessário. A sorologia (mencionada na alternativa A) não define conduta aguda, servindo apenas para confirmação epidemiológica posterior.

Perguntas Frequentes

Como é realizada a prova do laço em crianças?

A prova do laço é feita desenhando-se um quadrado de 2,5 cm de lado no antebraço. Insufla-se o manguito até o valor médio entre a pressão sistólica e diastólica por 3 minutos (em adultos são 5 minutos). A prova é positiva se houver 10 ou mais petéquias no quadrado em crianças (em adultos, 20 ou mais). Ela indica fragilidade capilar e classifica o paciente no Grupo B, caso não haja sinais de alarme.

Qual a diferença de conduta entre o Grupo A e o Grupo B da dengue?

O Grupo A inclui pacientes com dengue sem sinais de alarme, sem condições especiais e com prova do laço negativa; o tratamento é domiciliar com hidratação oral. O Grupo B inclui pacientes com prova do laço positiva OU condições clínicas especiais (como idade < 2 anos, gestantes, idosos ou comorbidades). No Grupo B, a hidratação oral deve ser iniciada na unidade de saúde e é obrigatória a solicitação de hemograma para avaliar hemoconcentração antes da decisão de alta.

Quais são os sinais de alarme na dengue que mudariam a conduta para o Grupo C?

Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), hipotensão postural, hepatomegalia dolorosa, sangramento de mucosa, letargia/irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito. A presença de qualquer um desses sinais classifica o paciente como Grupo C, exigindo hidratação venosa imediata.

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