Classificação e Manejo da Dengue: Grupo B e Comorbidades

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 33 anos refere febre alta, cefaleia, mialgia e artralgia, há 4 dias. Há um dia, houve aparecimento de manchas vermelhas pelo corpo, muito pruriginosas e epistaxe em mínima quantidade, com resolução espontânea. AP: DM1 controlado. EF: BEG, PA 130 x 80 mmHg (aferida em duas posições), FC: 89 bpm, TEC < 3 segundos, sem sinais de hipoperfusão, prova do laço negativa. HGT: 149 mg/dL. Com suspeita de dengue, a classificação clínica e a conduta são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Grupo C; é necessário iniciar hidratação e avaliar o hemograma em até 2 horas. A depender do hemograma, o paciente deverá ficar internado ou ser manejado ambulatorialmente, com reavaliações clínicas diárias e hemogramas seriados, até resolução completa do quadro.
  2. B) Grupo B; é necessário iniciar hidratação e avaliar o hemograma em até 4 horas. Caso não apresente hemoconcentração e/ou plaquetopenia grave, o manejo pode ser ambulatorial, com reavaliações clínicas diárias e hemogramas seriados, até resolução completa do quadro.
  3. C) Grupo A; não é necessário avaliar o hemograma, e o manejo pode ser ambulatorial, com reavaliação clínica no dia da cessação da febre ou no sétimo dia de sintoma, caso a febre persista.
  4. D) Grupo D; é necessário iniciar hidratação endovenosa e avaliar o hemograma em até 2 horas. O paciente deverá ficar internado por pelo menos 48 horas em unidade de terapia intensiva.

Pérola Clínica

Dengue + Sangramento espontâneo ou Comorbidades (DM1) = Grupo B → Hemograma obrigatório.

Resumo-Chave

Pacientes com dengue e condições especiais (como DM1) ou sangramentos leves de mucosa sem sinais de alarme são classificados como Grupo B, exigindo exames laboratoriais e observação até o resultado.

Contexto Educacional

A classificação de risco da dengue é fundamental para reduzir a letalidade da doença. O sistema de grupos (A, B, C, D) direciona o nível de intervenção necessário. O Grupo B representa uma 'zona de alerta' onde o paciente parece estável, mas possui fatores que podem acelerar a deterioração clínica. No caso apresentado, a presença de epistaxe (sangramento de mucosa) e DM1 (comorbidade) enquadra o paciente no Grupo B, apesar da prova do laço negativa e estabilidade hemodinâmica. O manejo correto evita a progressão para choque por extravasamento plasmático, garantindo que a hidratação seja iniciada precocemente e que o hematócrito seja monitorado como marcador de gravidade.

Perguntas Frequentes

O que define um paciente como Dengue Grupo B?

O Grupo B inclui pacientes com suspeita de dengue que não apresentam sinais de alarme ou choque, mas possuem condições clínicas especiais, comorbidades (como Diabetes, Hipertensão, DPOC, gravidez) ou sangramentos espontâneos de pele (petéquias) ou mucosas (epistaxe, gengivorragia) de pequena intensidade. A prova do laço positiva também pode classificar o paciente no Grupo B se não houver outros sinais de gravidade. O diferencial deste grupo é a necessidade obrigatória de realização de hemograma completo para triagem de hemoconcentração ou plaquetopenia grave.

Qual a conduta imediata para o paciente do Grupo B?

A conduta envolve o início imediato da hidratação (preferencialmente oral com 60 ml/kg/dia) e a solicitação de hemograma completo. O paciente deve aguardar o resultado do exame em observação na unidade de saúde. Se o hemograma mostrar hematócrito normal, o paciente pode ser manejado ambulatorialmente com reavaliação diária. Se houver sinais de hemoconcentração, o paciente deve ser reclassificado e tratado conforme os protocolos de grupos mais graves (C ou D), dependendo da evolução clínica.

Por que o Diabetes Mellitus influencia na classificação da dengue?

Comorbidades como o Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) aumentam o risco de complicações e descompensação da doença de base durante a infecção viral. O estado inflamatório da dengue pode dificultar o controle glicêmico, e a fragilidade vascular ou disfunção imunológica associada ao diabetes pode predispor a formas mais graves da doença. Por isso, o Ministério da Saúde preconiza que esses pacientes recebam atenção redobrada (Grupo B), garantindo que alterações laboratoriais precoces sejam detectadas antes da instalação de sinais de alarme.

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