Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2015
Criança de 10 anos de idade, sexo masculino, previamente hígido, é internado com quadro de febre 38ºC a 39ºC, prostração, mialgia intensa, dificultando a deambulação, apresenta cefaleia e dor abdominal com seis dias de evolução. Seu exame físico constatou criança com estado geral ruim, prostrado, sonolento, palidez cutânea, mucosa ++/4, desidratado, exantema petequial nos membros superiores, inferiores, tórax e abdome. Hepatomegalia importante. FC 120 bpm, prova do laço negativa, FR 45 irpm, MV diminuído em bases. Exames realizados: Teste rápido para a dengue negativo, leucopenia (G.leuc 3500), plaquetopenia (38000), anemia (Hb 8 g/dl). Após avaliação clínica a criança foi transferida para unidade de terapia intensiva. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta o dado MAIS importante para elucidação diagnóstico.
Criança com febre, prostração, plaquetopenia, hepatomegalia e exantema petequial em área endêmica → Dengue grave, epidemiologia é chave.
Em um quadro clínico grave com febre, prostração, sangramentos e alterações hematológicas como plaquetopenia e leucopenia, a epidemiologia (estar em área endêmica de dengue) é o dado mais relevante para a elucidação diagnóstica, especialmente quando o teste rápido inicial é negativo, pois pode haver janela imunológica.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Em crianças, a doença pode apresentar-se de forma mais grave e com progressão rápida para choque, tornando o diagnóstico precoce e o manejo adequados essenciais. A epidemiologia, ou seja, a ocorrência da doença em uma determinada população ou área geográfica, é um pilar fundamental para a suspeita diagnóstica, especialmente em contextos de surtos ou áreas endêmicas. A fisiopatologia da dengue grave envolve o extravasamento plasmático, que leva ao choque, e a disfunção de órgãos. O quadro clínico descrito (febre, prostração, mialgia, cefaleia, dor abdominal, exantema petequial, hepatomegalia, leucopenia, plaquetopenia e anemia) é altamente sugestivo de dengue grave. Embora o teste rápido para dengue possa ser negativo nos primeiros dias da doença (janela imunológica), a forte suspeita clínica e a epidemiologia (criança de 10 anos em área provavelmente endêmica) devem guiar a investigação. Outros exames como sorologia para Epstein Barr ou mielograma são menos prováveis de serem o dado MAIS importante para a elucidação diagnóstica inicial neste cenário. O manejo da dengue grave exige internação e monitoramento rigoroso, com reposição volêmica agressiva e suporte de órgãos. A identificação precoce dos sinais de alarme e a consideração da epidemiologia são cruciais para evitar a progressão para choque irreversível e óbito. A vacinação e o controle do vetor são medidas preventivas importantes em saúde pública.
Os sinais de alarme da dengue em crianças incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito com queda abrupta das plaquetas.
A epidemiologia é crucial porque a dengue é uma doença endêmica em muitas regiões. A história de residência ou viagem para uma área com circulação viral recente, juntamente com a apresentação clínica, aumenta muito a probabilidade diagnóstica, mesmo que testes iniciais sejam inconclusivos devido à janela imunológica.
A plaquetopenia é um marcador de gravidade na dengue, indicando disfunção medular e consumo plaquetário, aumentando o risco de sangramentos. A hepatomegalia, por sua vez, pode ser um sinal de disfunção hepática e também um indicador de gravidade, especialmente quando associada a outros sinais de choque.
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