Dengue Grave: Sinais de Alarme e Fisiopatologia Essencial

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022

Enunciado

A fase crítica da infecção pelo vírus da Dengue pode se seguir à fase febril, em alguns pacientes, que podem evoluir para as formas graves. O aparecimento dos sinais de alarme deve ser rotineiramente pesquisados nos casos suspeitos. Dentre os principais sinais de alarme, destacam-se: dor abdominal intensa (referida ou à palpação) e contínua; vômitos persistentes; acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico); hipotensão postural e/ou lipotimia; hepatomegalia > 2 cm abaixo do rebordo costal; sangramento de mucosa; letargia e/ou irritabilidade; aumento progressivo do hematócrito. O que traduzem esses sinais de alarme?

Alternativas

  1. A) Esses sinais podem traduzir o aumento da pneumonia causada pelo vírus, edema agudo de pulmão e evolução para o agravamento clínico do paciente com derrame pleural.
  2. B) Esses sinais podem traduzir a instalação de insuficiência cardíaca e hipertensão arterial, permitindo a evolução para o agravamento clínico do paciente com o potencial de choque ou derrame pericárdico.
  3. C) Esses sinais podem traduzir o aumento da permeabilidade vascular acarretando hipertensão arterial, o agravamento clínico do paciente para o choque ou derrames cavitários pelo extravasamento plasmático.
  4. D) Esses sinais podem traduzir o aumento da permeabilidade vascular e evolução para o agravamento clínico do paciente, com o potencial de evoluir para o choque ou derrames cavitários pelo extravasamento plasmático.

Pérola Clínica

Sinais de alarme da Dengue → ↑ permeabilidade vascular, extravasamento plasmático, risco de choque e derrames cavitários.

Resumo-Chave

Os sinais de alarme na dengue indicam a transição para a fase crítica, onde o aumento da permeabilidade vascular é o evento fisiopatológico central. Isso leva ao extravasamento de plasma para o interstício e cavidades, podendo resultar em choque hipovolêmico e falência de órgãos.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública global, com manifestações clínicas que variam desde formas assintomáticas a quadros graves e potencialmente fatais. A identificação precoce dos sinais de alarme é crucial para a estratificação de risco e manejo adequado, prevenindo a progressão para as formas graves da doença. A fase crítica, que geralmente ocorre após a defervescência, é o período de maior risco de complicações. A fisiopatologia da dengue grave é caracterizada principalmente pelo aumento da permeabilidade vascular, que leva ao extravasamento de plasma dos vasos sanguíneos para o espaço extravascular. Este fenômeno resulta em hemoconcentração, derrames cavitários (pleural, ascítico, pericárdico) e, em casos mais severos, choque hipovolêmico. Os sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e acúmulo de líquidos, são manifestações clínicas diretas desse extravasamento. O manejo da dengue com sinais de alarme exige monitoramento rigoroso e reposição volêmica intravenosa com cristaloides para compensar o extravasamento plasmático e prevenir o choque. A compreensão desses mecanismos é fundamental para que residentes e profissionais de saúde possam intervir de forma oportuna e eficaz, melhorando o prognóstico dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme da dengue?

Os principais sinais de alarme incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), hipotensão postural, hepatomegalia > 2 cm, sangramento de mucosa, letargia/irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito.

O que o aumento da permeabilidade vascular significa na dengue?

O aumento da permeabilidade vascular na dengue significa que os vasos sanguíneos se tornam mais 'porosos', permitindo que o plasma (parte líquida do sangue) extravase para fora dos vasos e se acumule em tecidos e cavidades, como pleura e peritônio.

Por que o extravasamento plasmático é perigoso na dengue?

O extravasamento plasmático é perigoso porque leva à hipovolemia intravascular, ou seja, diminuição do volume sanguíneo circulante efetivo. Isso pode resultar em choque hipovolêmico, falência de órgãos e, se não tratado rapidamente, pode ser fatal.

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