Dengue Grave: Fisiopatologia da Potencialização Viral (ADE)

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

De acordo com o Ministério da Saúde, até 8 de junho de 2019, foram registradas 366 mortes e foram confirmados 596.381 casos de dengue no Brasil - aumento de 700% em relação ao mesmo período do ano passado. Os casos de dengue hemorrágica, que cursam com extensa inflamação e plaquetopenia, entre outros sintomas, são associados infecção por um sorotipo diferente daquele que causou a primeira infecção. O fenômeno imunológico associado à intensa inflamação envolve:

Alternativas

  1. A) Anticorpos IgM e redução da neutralização viral.
  2. B) Anticorpos IgM e aumento da infectividade viral.
  3. C) Anticorpos IgG e redução da neutralização viral.
  4. D) Anticorpos IgG e aumento da infectividade viral.

Pérola Clínica

Dengue grave → Infecção secundária por sorotipo diferente + anticorpos IgG pré-existentes = ↑ infectividade viral (ADE).

Resumo-Chave

A dengue grave, ou dengue hemorrágica, é frequentemente associada a uma infecção secundária por um sorotipo diferente do vírus. O fenômeno imunológico chave é a potencialização dependente de anticorpos (ADE), onde anticorpos IgG não neutralizantes da infecção primária facilitam a entrada do vírus em monócitos e macrófagos, aumentando a carga viral e a inflamação.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. O vírus da dengue (DENV) possui quatro sorotipos distintos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Uma infecção por um sorotipo confere imunidade permanente a ele, mas apenas imunidade parcial e temporária aos outros. A fisiopatologia da dengue grave, anteriormente conhecida como dengue hemorrágica, é complexa e frequentemente associada a uma infecção secundária por um sorotipo diferente. O fenômeno chave é a potencialização dependente de anticorpos (ADE - Antibody-Dependent Enhancement). Anticorpos IgG produzidos durante a primeira infecção, quando não são capazes de neutralizar o novo sorotipo, podem se ligar ao vírus e formar complexos imunes. Esses complexos são então internalizados por células como monócitos e macrófagos via receptores Fc, facilitando a entrada e replicação viral. Isso leva a uma carga viral mais alta, maior ativação de citocinas pró-inflamatórias e uma resposta imune desregulada, culminando em aumento da permeabilidade vascular, plaquetopenia e manifestações hemorrágicas características da dengue grave.

Perguntas Frequentes

O que é a potencialização dependente de anticorpos (ADE) na dengue?

ADE é um fenômeno imunológico onde anticorpos não neutralizantes de uma infecção prévia por dengue se ligam ao vírus, mas em vez de neutralizá-lo, facilitam sua entrada em células como monócitos e macrófagos, aumentando a replicação viral.

Como os anticorpos IgG contribuem para a dengue grave?

Anticorpos IgG produzidos em uma infecção primária por um sorotipo de dengue podem se ligar a um sorotipo diferente em uma infecção secundária. Se esses anticorpos não forem neutralizantes, eles podem mediar a entrada do vírus nas células via receptores Fc, resultando em maior carga viral e resposta inflamatória exacerbada.

Por que a infecção secundária por um sorotipo diferente é mais grave na dengue?

A infecção secundária por um sorotipo diferente é mais grave devido ao fenômeno ADE. Os anticorpos pré-existentes da primeira infecção, em vez de protegerem, promovem a entrada do novo sorotipo viral nas células, levando a uma replicação viral mais intensa e uma resposta inflamatória desregulada.

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