Dengue Grave Pediátrica: Manejo do Choque e Condutas Iniciais

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

Mariana, 4 anos, vem ao pronto-socorro com relato de dor abdominal há 1 dia, acompanhada de vômitos frequentes, oligúria, cefaleia, dor em todo o corpo e grande prostração. Consciente, pálida, desidratada, taquicárdica, perfusão capilar diminuída, hipotermia leve, petéquias esparsas e hipotensão. A Prova do Laço é positiva. Todas as alternativas abaixo são opções de condutas iniciais, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Internação em leito de cuidados intensivos.
  2. B) Corticosteroide EV.
  3. C) Analgésico.
  4. D) Hidratação parenteral.
  5. E) Balanço hídrico.

Pérola Clínica

Dengue grave com choque: Hidratação EV agressiva é crucial; corticosteroides são contraindicados.

Resumo-Chave

A dengue grave, especialmente em crianças, pode evoluir rapidamente para choque devido ao extravasamento plasmático. A conduta inicial foca na reposição volêmica agressiva e monitoramento intensivo, enquanto corticosteroides não têm benefício comprovado e podem ser prejudiciais.

Contexto Educacional

A dengue grave é uma forma potencialmente fatal da doença, caracterizada por extravasamento plasmático que pode levar a choque, acúmulo de líquidos, sangramentos graves e disfunção orgânica. Em crianças, a progressão pode ser rápida, exigindo reconhecimento precoce e manejo intensivo. A epidemiologia da dengue no Brasil é sazonal e endêmica em muitas regiões, tornando o conhecimento sobre sua gravidade e tratamento essencial para residentes. O diagnóstico de dengue grave é clínico e laboratorial, baseado em sinais de alarme e choque. A fisiopatologia envolve o aumento da permeabilidade vascular, levando ao extravasamento de plasma e hemoconcentração. A suspeita deve ser alta em pacientes com febre em áreas endêmicas, especialmente com sinais de alarme como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hipotensão e petéquias. A Prova do Laço positiva é um indicativo de fragilidade capilar. O tratamento da dengue grave é primordialmente de suporte, com foco na reposição volêmica para combater o choque. A internação em UTI é frequentemente necessária para monitoramento hemodinâmico rigoroso e balanço hídrico preciso. Analgésicos podem ser usados para dor, mas anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) devem ser evitados devido ao risco de sangramento. Corticosteroides não são recomendados e são considerados uma conduta inadequada, pois não há evidências de benefício e podem aumentar os riscos. O prognóstico depende da rapidez e adequação do manejo inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme da dengue em crianças?

Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia >2 cm e aumento progressivo do hematócrito.

Por que os corticosteroides são contraindicados na dengue grave?

Corticosteroides não demonstraram benefício na dengue grave e podem aumentar o risco de sangramentos gastrointestinais, infecções secundárias e hiperglicemia, sem impactar a mortalidade ou a duração da doença.

Qual a principal medida no manejo do choque por dengue?

A principal medida é a reposição volêmica agressiva com cristaloides isotônicos (soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato), monitorando a resposta clínica e os sinais vitais para evitar sobrecarga hídrica.

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