UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Homem de 65 anos, diabético, com insuficiência renal grau 3, após três dias de evolução de um quadro clínico clássico de dengue, comparece à UBS com menos febre, manchas roxas no corpo, dor abdominal, vômitos intensos, em torpor, estando desidratado e referindo fezes vermelhas. Ao exame físico, verificam-se PA = 90x64 mmHg e taquicardia. Diante do caso, a conduta correta compreende:
Sinais de alarme + Hipotensão/Choque → Dengue Grupo D → Hidratação IV imediata + Emergência.
Pacientes com dengue que apresentam sinais de choque (hipotensão, taquicardia, alteração do sensório) e sangramentos devem ser classificados como Grupo D, exigindo expansão volêmica imediata.
A dengue é uma arbovirose dinâmica que pode evoluir rapidamente de um quadro febril inespecífico para choque por extravasamento plasmático. A classificação do Ministério da Saúde divide os pacientes em grupos (A, B, C e D) baseando-se na gravidade e presença de comorbidades. O Grupo D representa a emergência médica máxima, onde o atraso na reposição volêmica é o principal determinante de mortalidade. A fisiopatologia envolve um aumento da permeabilidade vascular mediado por citocinas, levando à hemoconcentração e choque hipovolêmico distributivo. Em pacientes com comorbidades como DRC, o balanço hídrico deve ser extremamente criterioso, mas a prioridade inicial no choque é sempre a restauração da perfusão tecidual.
Os sinais de alarme na dengue surgem geralmente na fase de defervescência (queda da febre) e incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), hipotensão postural, hepatomegalia dolorosa, sangramentos de mucosa, letargia ou irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito. A identificação precoce desses sinais é crucial para evitar a progressão para o choque e óbito, exigindo mudança imediata na estratégia de hidratação para a via intravenosa.
O Grupo D compreende pacientes com sinais de choque (extremidades frias, pulso débil, enchimento capilar lento), insuficiência respiratória por derrame pleural, sangramento grave (como hematêmese ou melena) ou disfunção orgânica grave (encefalite, miocardite, hepatite). No caso clínico, a presença de hipotensão (90x64 mmHg), taquicardia, torpor e sangramento gastrointestinal classifica o paciente automaticamente neste grupo, exigindo ressuscitação volêmica imediata com cristaloides (20 mL/kg em 20 minutos).
Idosos e portadores de comorbidades como Diabetes Mellitus e Doença Renal Crônica (DRC) são considerados grupos de risco para complicações da dengue. A DRC dificulta o manejo hídrico, exigindo monitorização rigorosa para evitar sobrecarga volêmica, enquanto o diabetes pode mascarar sinais de desidratação ou agravar a acidose. Nesses pacientes, o limiar para internação e monitorização em unidade de terapia intensiva deve ser menor, dada a fragilidade hemodinâmica e o risco de descompensação das doenças de base.
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