USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Mulher, 19 anos, refere febre, mialgia, cefaleia e náuseas há 6 dias. Exame físico: BEG, corada. Aparelho cardiovascular: 2 bulhas rítmicas e normofonéticas, sem sopros; FC: 96 bpm; PA: 98x62 mmHg. Aparelho respiratório: MV reduzido no 1/3 inferior do hemitórax direito; FR: 26 ipm. Abdome: RHA presentes; dor moderada à palpação profunda em mesogástrio, sem visceromegalias. Edema +/4+ depressível em MMII. Pele: petéquias em ambas as pernas. Exames laboratoriais: Hemograma: Hb = 14,2 g/dL; Ht: 42%; glóbulos brancos: 2.900/mm³ (segmentados: 34%; linfócitos: 61%); plaquetas: 18.000/mm³. AST: 122 (VR < 32 U/L); ALT: 62 (VR < 31 U/L). Pesquisa do antígeno NS1 para dengue negativo. Radiografia de tórax: (ver figura). Ultrassonografia de abdome: ascite de moderado volume. Qual é a conduta mais adequada?
Dengue grave: plaquetopenia + leucopenia + extravasamento plasmático (ascite, derrame pleural) → hidratação venosa agressiva e monitoramento.
A paciente apresenta quadro clínico e laboratorial compatível com dengue grave (plaquetopenia, leucopenia, elevação de transaminases, sinais de extravasamento plasmático como ascite e MV reduzido indicando derrame pleural), apesar do NS1 negativo. A conduta inicial é sorologia para confirmação e hidratação venosa agressiva.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, e a forma grave da doença pode levar a complicações sérias e óbito. O caso clínico apresenta uma paciente com febre, mialgia, cefaleia e náuseas há 6 dias, acompanhada de plaquetopenia acentuada (18.000/mm³), leucopenia, elevação de transaminases e sinais de extravasamento plasmático, como ascite e redução do murmúrio vesicular (sugerindo derrame pleural). Esses achados são altamente sugestivos de dengue com sinais de alarme ou dengue grave. A pesquisa do antígeno NS1 para dengue, embora útil nos primeiros dias de doença (até o 5º dia), pode ser negativa após esse período devido à diminuição da viremia. Nesses casos, a sorologia para anticorpos IgM e IgG é fundamental para a confirmação diagnóstica. A presença de extravasamento plasmático é um dos critérios para classificação de dengue grave e exige atenção imediata. A conduta mais adequada para pacientes com dengue e sinais de alarme ou dengue grave é a internação hospitalar, monitoramento rigoroso e hidratação venosa agressiva com cristaloides. A reposição volêmica visa compensar o extravasamento plasmático e manter a perfusão orgânica. Outras medidas incluem o controle da febre e da dor, e o manejo de possíveis sangramentos. Corticoides e diuréticos não são indicados rotineiramente e a paracentese ou toracocentese só seriam consideradas em situações muito específicas de grande desconforto respiratório ou abdominal refratário ao tratamento clínico.
Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, letargia, hepatomegalia e sinais de extravasamento plasmático (derrame pleural, ascite, hemoconcentração).
O antígeno NS1 é detectável principalmente nos primeiros 5 dias de doença. Após esse período, sua sensibilidade diminui, e a sorologia (IgM/IgG) torna-se mais relevante para o diagnóstico.
A hidratação venosa é crucial para combater o extravasamento plasmático e prevenir o choque hipovolêmico, sendo a principal medida de suporte na dengue grave.
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