SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Menino, de 4 anos, levado à emergência apresentando petéquias em tronco, face, membros inferiores, sonolência, fala desconexa, mucosas pálidas, taquicardia, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e redução da diurese. Segundo sua mãe, os sintomas iniciaram há 5 dias com febre (38°C), cefaleia (+++/4+), mialgia e “manchas avermelhadas” que se iniciaram no tronco e se disseminaram para as extremidades acometendo até palma das mãos e a planta dos pés. Exames coletados na emergência mostram Hematócrito: 45%, linfócitos: 4000/mm³ e Plaquetas: 53.000/mm³. Pelos achados descritos mais provavelmente estamos diante de infecção por:
Dengue grave: sinais de choque (taquicardia, TPC >2s, oligúria) + plaquetopenia + exantema palmoplantar.
O quadro clínico, com febre, exantema disseminado (incluindo palmas e plantas), petéquias, sinais de choque (taquicardia, TPC prolongado, oligúria) e plaquetopenia, é altamente sugestivo de dengue grave com choque. A sonolência e fala desconexa indicam comprometimento neurológico.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Embora a maioria dos casos seja autolimitada, uma parcela dos pacientes pode evoluir para formas graves, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave, que inclui o choque. Em crianças, a progressão para a gravidade pode ser rápida e os sinais de choque podem ser mais sutis, exigindo alta suspeição clínica. O quadro clínico apresentado, com febre, cefaleia, mialgia, exantema que se dissemina para palmas e plantas, petéquias e, principalmente, sinais de choque (sonolência, fala desconexa, mucosas pálidas, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado e redução da diurese), associado à plaquetopenia (53.000/mm³), é altamente indicativo de dengue grave com choque. A presença de exantema palmoplantar, embora não patognomônico, pode ocorrer em algumas arboviroses e outras infecções, mas no contexto de choque e plaquetopenia, a dengue é a principal suspeita. O manejo da dengue grave exige reconhecimento precoce e intervenção imediata, com foco na reposição volêmica agressiva para combater o choque e na monitorização contínua dos sinais vitais, débito urinário e exames laboratoriais (hematócrito, plaquetas). Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente esses quadros para garantir um tratamento oportuno e reduzir a morbimortalidade associada à doença.
Os sinais de alarme da dengue em crianças incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia dolorosa, derrames cavitários e hipotensão postural. A presença de qualquer um desses sinais indica a necessidade de internação e monitoramento rigoroso.
A dengue grave se diferencia por sinais de choque (taquicardia, TPC prolongado, hipotensão), sangramentos (petéquias, equimoses), e alterações laboratoriais como plaquetopenia acentuada e hemoconcentração. Outras febres exantemáticas podem ter exantema, mas raramente evoluem com choque e sangramentos tão severos.
A conduta inicial em caso de suspeita de dengue com choque é a internação imediata, acesso venoso e início rápido da reposição volêmica com cristaloides (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) em bolus, monitorando rigorosamente os sinais vitais, débito urinário e nível de consciência.
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