USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Menino, 3 anos de idade, é levado ao pronto atendimento por febre de início há 5 dias, cefaleia e exantema, já resolvidos. Responsável refere que o menor está sem febre há cerca de 36 horas, mas que há um dia começou a se queixar de muita dor abdominal, sem períodos de melhora; apresentou 10 episódios de vômitos nas últimas 4 horas e teve um episódio de “quase- desmaio”. Ao exame físico, a criança está irritada, afebril, frequência cardíaca de 138 de bpm, frequência respiratória de 36 ipm, desidratada de algum grau, PA de 82x60 mmHg, tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Restante do exame clínico sem alterações. Após realização de torniquete para obtenção de um acesso venoso, foram notadas as seguintes lesões na fossa antecubital: Considerando a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa que apresenta o exame mais compatível.
Dengue grave (fase crítica) → dor abdominal intensa, vômitos, hemoconcentração, plaquetopenia, sinais de choque.
O quadro clínico sugere Dengue grave na fase crítica, caracterizada por extravasamento plasmático. A dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sinais de choque (taquicardia, hipotensão, irritabilidade) e a prova do laço positiva (petéquias após torniquete) são indicativos. Laboratorialmente, espera-se hemoconcentração (↑ Ht) e plaquetopenia (↓ plaquetas).
A Dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais. Em crianças, a doença pode evoluir rapidamente para formas graves, sendo crucial o reconhecimento precoce dos sinais de alarme e da fase crítica. A fase febril é seguida pela fase crítica, que geralmente coincide com a defervescência da febre (3º ao 7º dia), quando o extravasamento plasmático pode levar ao choque. O caso descrito, com dor abdominal intensa, vômitos persistentes, irritabilidade, taquicardia, hipotensão e petéquias após torniquete (prova do laço positiva), é altamente sugestivo de Dengue grave com sinais de choque e extravasamento plasmático. A hemoconcentração (aumento do hematócrito) e a plaquetopenia são achados laboratoriais clássicos dessa fase, refletindo a perda de volume intravascular e a disfunção medular/consumo plaquetário. O manejo da Dengue grave exige monitoramento rigoroso, hidratação venosa agressiva e correção de distúrbios hidroeletrolíticos. A identificação precoce desses parâmetros laboratoriais e clínicos é vital para intervir antes que o choque se torne irreversível, melhorando significativamente o prognóstico do paciente pediátrico.
Sinais incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos, letargia/irritabilidade, hepatomegalia, derrame pleural/ascite e hemoconcentração.
A hemoconcentração ocorre devido ao extravasamento plasmático para o terceiro espaço, resultando em aumento do hematócrito e indicando a necessidade de reposição volêmica.
A plaquetopenia é um achado comum na Dengue e, quando acentuada (<100.000/μL), é um sinal de alarme, indicando maior risco de sangramentos e gravidade da doença.
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