Dengue Grave com Choque: Manejo da Coagulopatia e Internação

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2022

Enunciado

Mulher 53 anos trazida à emergência por familiares com quadro de prostração e queda do estado geral. Cinco dias antes havia surgido quadro de febre, temperaturas entre 38 e 39 graus. Apresentava ainda mialgia, cefaleia holocraniana e artralgia. Com 48 horas de sintomas foi à unidade de pronto atendimento, onde instruída a ingerir muito líquido e utilizar um antitérmico. Há 24 horas já não apresentava mais febre, mas evoluiu com piora do estado geral, vômitos e sonolência. Irmã da paciente nega a ocorrência de sangramento, bem como a existência de comorbidades ou uso de medicação regular. Ao exame: paciente sonolenta, desidratada 2+/4, com extremidades frias e enchimento capilar periférico lentificado. PA: 80x60 mmHg, FC 115 bpm, FR: 26 irpm, SpO2: 94%. Apresenta pulsos periféricos finos e petéquias em membros, além de uma equimose no abdome. Ausculta pulmonar e cardíaca normais. Abdome indolor à palpação e membros inferiores sem sinais de edema. Após três etapas de hidratação venosa com SF 0,9%, sinais vitais eram: PA 110/80 mmHg, FC 98 bpm e FR: 20 irpm. Exames complementares inicias: hematócrito 50%, Leucócitos 4000 /mm3, Plaquetas 32.000 /mm3. Após a hidratação venosa, novos exames: hematócrito de 45% e INR 2,0. Qual a conduta mais adequada para esse caso?

Alternativas

  1. A) Internação em enfermaria, transfusão de concentrado de plaquetas.
  2. B) Internação em UTI, transfusão de plasma fresco congelado.
  3. C) Internação em UTI, expansão volêmica com colóides.
  4. D) Internação em enfermaria, transfusão de plasma fresco congelado.
  5. E) Internação em UTI, transfusão de concentrado de hemácias.

Pérola Clínica

Dengue grave com choque + coagulopatia (INR ↑, Plaquetas ↓) → UTI + Plasma Fresco Congelado.

Resumo-Chave

A paciente apresenta dengue grave com choque (desidratação, hipotensão, má perfusão) e coagulopatia (INR 2.0, plaquetas 32.000). Apesar da melhora hemodinâmica inicial com fluidos, a persistência da coagulopatia e trombocitopenia grave indica necessidade de internação em UTI e transfusão de plasma fresco congelado para corrigir a disfunção da coagulação.

Contexto Educacional

A dengue é uma doença febril aguda de etiologia viral, com um espectro clínico que varia de formas assintomáticas a quadros graves, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave. A fase crítica da doença geralmente ocorre após a defervescência (queda da febre), quando o paciente pode desenvolver extravasamento plasmático, levando a choque, sangramentos e disfunção orgânica. A identificação precoce dos sinais de alarme e a intervenção adequada são cruciais para evitar a progressão para formas graves e reduzir a mortalidade. O caso apresentado descreve uma paciente na fase crítica da dengue, com sinais de choque (hipotensão, extremidades frias, enchimento capilar lentificado) e evidência de coagulopatia (plaquetas baixas e INR elevado). Embora a hidratação venosa tenha melhorado os parâmetros hemodinâmicos, a persistência da coagulopatia e trombocitopenia grave indica um quadro de alta complexidade que exige monitorização intensiva. A internação em UTI é imperativa para o manejo adequado do choque e das complicações hemorrágicas. Em relação à conduta, a transfusão de plasma fresco congelado (PFC) é indicada para corrigir a coagulopatia, repondo os fatores de coagulação. A transfusão de plaquetas, embora importante na trombocitopenia, é geralmente reservada para sangramentos ativos ou contagens muito baixas (<10.000/mm³) e não aborda a disfunção dos fatores de coagulação. O manejo da dengue grave exige uma abordagem multidisciplinar, com monitorização contínua, suporte hemodinâmico, correção de distúrbios de coagulação e tratamento de outras disfunções orgânicas, visando a recuperação completa do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme da dengue que indicam gravidade?

Os sinais de alarme da dengue incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia e aumento progressivo do hematócrito. A presença de qualquer um desses sinais exige atenção médica imediata.

Quando a transfusão de plasma fresco congelado é indicada na dengue?

A transfusão de plasma fresco congelado é indicada na dengue grave com sangramento clinicamente significativo e evidência de coagulopatia (como INR elevado ou prolongamento de TP/TTPa), mesmo após a correção do choque. Ele repõe fatores de coagulação deficientes, auxiliando no controle da hemorragia.

Qual a importância da hidratação venosa no manejo da dengue grave?

A hidratação venosa é crucial no manejo da dengue grave, especialmente em casos de choque, para restaurar o volume intravascular e reverter a hipoperfusão tecidual. A monitorização rigorosa dos sinais vitais, débito urinário e hematócrito é essencial para guiar a terapia de fluidos e evitar sobrecarga.

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