Dengue Grave: Reconhecimento e Manejo de Sinais de Alarme

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 35 anos, sem comorbidades, dá entrada na UPA com quadro de febre, mialgia, dor retro-ocular, na avaliação de entrada com T: 39ºC, PA: 100 x 70 e exame físico normal. Feita hipótese diagnóstica (HD) de dengue (aguarda confirmação laboratorial). Iniciada reposição hídrica na sala de observação, com SF 0,9% associado com SG 5%. Após 2 horas, o paciente apresenta-se com dores abdominais, vômitos e agitação. A conduta a ser tomada será:

Alternativas

  1. A) Manter hidratação vigente e reavaliar após 4 horas do início da reposição. Remover para unidade hospitalar, se diurese < 0,5 mL/Kg/h.
  2. B) Aumentar reposição volêmica com SF 0,9%, associar metoclopramida IV e observar diurese, mantendo-a ao menos em 0,5 mL/Kg/h. Reavaliação após 2 horas.
  3. C) Promover expansão plasmática com ringer lactato + SF 0,9% e remover para Unidade de Terapia Intensiva, provável evolução para dengue hemorrágica. 
  4. D) Manter a hidratação vigente e investigar outras causas de dores abdominais e vômitos.

Pérola Clínica

Dengue com sinais de alarme (dor abdominal, vômitos persistentes) → expansão volêmica agressiva e internação.

Resumo-Chave

A piora do quadro clínico com dor abdominal intensa, vômitos persistentes e agitação em um paciente com dengue indica sinais de alarme, sugerindo extravasamento plasmático e risco de choque. A conduta é a expansão volêmica imediata e monitoramento intensivo.

Contexto Educacional

A dengue é uma doença viral transmitida por mosquitos, com um espectro clínico que varia de formas assintomáticas a quadros graves. A importância clínica reside na alta incidência e no potencial de evolução para formas graves, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave (anteriormente dengue hemorrágica), que podem levar ao choque e óbito. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente os sinais de piora. A fisiopatologia da dengue grave envolve o aumento da permeabilidade vascular, resultando em extravasamento plasmático para o terceiro espaço, levando à hemoconcentração e, eventualmente, choque hipovolêmico. Os sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hipotensão e agitação, indicam a progressão para essa fase crítica. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, com confirmação laboratorial. O tratamento da dengue com sinais de alarme e dengue grave é focado na reposição volêmica agressiva com cristaloides (SF 0,9% ou Ringer Lactato), em doses e velocidades específicas, com monitoramento rigoroso dos sinais vitais, débito urinário e hematócrito. A internação em unidade de terapia intensiva (UTI) é frequentemente necessária para manejo e suporte avançado, visando prevenir o choque e suas complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme da dengue?

Os principais sinais de alarme da dengue incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hipotensão postural, hepatomegalia > 2 cm, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito.

Qual a conduta inicial para pacientes com dengue e sinais de alarme?

A conduta inicial é a expansão volêmica imediata com cristaloides (SF 0,9% ou Ringer Lactato) em bolus, seguida de reavaliação constante. O paciente deve ser internado para monitoramento intensivo.

Por que a hidratação é crucial na dengue grave?

A hidratação é crucial na dengue grave devido ao extravasamento plasmático que ocorre, levando à hemoconcentração e risco de choque hipovolêmico. A reposição volêmica visa restaurar o volume intravascular e prevenir a progressão para choque.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo