Dengue na Gestação: Diagnóstico e Manejo Essencial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Primigesta de 24 anos chega à maternidade com queixa de cefaleia, febre e dores articulares leves há 5 dias. Relata que ontem houve piora da febre e surgimento de manchas pelo corpo, o que a fez procurar a emergência. O obstetra verifica o cartão do pré-natal e constata que ela está com 22 semanas de gestação e já realizou 3 consultas na unidade básica de saúde (UBS), sempre com sinais vitais normais e exames laboratoriais sem alterações. Ao exame físico, a paciente apresenta-se em bom estado geral, lúcida e orientada. Durante a análise clínica, foram obtidos os seguintes resultados: Após ouvir a história da paciente e examiná-la, o médico solicita um hemograma, cujo resultado é: Nesse caso, qual a principal hipótese diagnóstica e a conduta a ser adotada pelo obstetra?

Alternativas

  1. A) Dengue; internar imediatamente a paciente, iniciar hidratação venosa, dipirona endovenosa e realizar controle diário de plaquetas.
  2. B) Chikungunya; colocar a paciente em leito de observação clínica, iniciar hidratação venosa, dipirona e, após terminar, liberar retorno ao pré-natal.
  3. C) Zika; colocar a paciente em leito de observação clínica, iniciar hidratação venosa, dipirona endovenosa e realizar controle diário de plaquetas.
  4. D) Febre de Oropouche; internar imediatamente a paciente, iniciar transfusão de plaquetas, paracetamol por via oral e, após a transfusão, liberar retorno ao pré-natal.

Pérola Clínica

Gestante com febre, exantema, leucopenia e plaquetopenia → Dengue. Internação e hidratação venosa são cruciais.

Resumo-Chave

A dengue na gestação exige vigilância redobrada devido ao risco de formas graves e complicações materno-fetais. A presença de plaquetopenia e leucopenia, associada a febre e exantema, é altamente sugestiva. A conduta inicial foca na hidratação rigorosa e monitoramento diário de plaquetas e sinais de alarme.

Contexto Educacional

A dengue na gestação representa um desafio clínico significativo devido à sobreposição de sintomas com outras condições gestacionais e ao risco aumentado de complicações. A epidemiologia da dengue no Brasil torna essencial que obstetras e clínicos estejam aptos a reconhecer e manejar a doença. A gestação, por si só, pode alterar a resposta imunológica e hemodinâmica, tornando a mulher mais suscetível a formas graves da doença. O diagnóstico da dengue em gestantes baseia-se na clínica (febre, mialgia, artralgia, exantema) e em exames laboratoriais como hemograma (leucopenia e plaquetopenia são achados comuns) e sorologia. A suspeita deve ser alta em áreas endêmicas. A diferenciação com outras arboviroses como Zika e Chikungunya é importante, mas a conduta inicial de suporte é similar. O monitoramento de sinais vitais, diurese e hematócrito é fundamental para identificar a progressão da doença. O tratamento é principalmente de suporte, com hidratação rigorosa (oral ou venosa, conforme a gravidade), repouso e controle sintomático da febre e dor com paracetamol ou dipirona. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são contraindicados devido ao risco de sangramento. A internação é indicada para gestantes com sinais de alarme ou comorbidades, permitindo um monitoramento contínuo e intervenção precoce em caso de agravamento. O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme da dengue em gestantes?

Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos, hipotensão postural, letargia/irritabilidade e hepatomegalia. A plaquetopenia progressiva e o aumento do hematócrito também são indicadores importantes.

Por que a hidratação venosa é fundamental no manejo da dengue em gestantes?

A hidratação venosa é crucial para prevenir e tratar a desidratação e o extravasamento plasmático, que podem levar ao choque. Em gestantes, a manutenção de uma boa perfusão é vital para a mãe e o feto, e a volemia deve ser cuidadosamente monitorada.

Quais são os riscos da dengue para a gestante e o feto?

Para a gestante, os riscos incluem formas graves da doença, hemorragias e choque. Para o feto, há risco de prematuridade, baixo peso ao nascer e, em casos raros, transmissão vertical, embora as complicações fetais diretas sejam menos comuns que as maternas.

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