INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Em um município foram registradas epidemias de dengue em 2004, 2010 e 2014, associadas à introdução do vírus dengue (DEN-V) dos tipos 3, 2 e 4, respectivamente. Em 2016, há notificação de casos de zika e chikungunya. Na Unidade Básica de Saúde desse município, foi atendida uma mulher com 23 anos de idade e 16 semanas de gestação relatando febre não medida, cefaleia e mialgia de início abrupto e com piora progressiva de intensidade até a manhã do dia do atendimento, quando acordou melhor e notou a pele avermelhada; o quadro teve início há 4 dias. Não apresenta queixa de artralgia, sangramentos ou qualquer outro sinal de alarme. Relata ter tido dengue clássica há 4 anos. Nega comorbidades e uso recente de medicamentos. O cartão vacinal da paciente encontra-se em dia. Ao exame físico, apresenta-se afebril e com discretos exantemas máculo-papulares por todo o corpo, sem outras alterações; a prova do laço teve resultado negativo. O resultado dos exames revela hematócrito = 41% (valor de referência: 33,0 a 47,8%); hemoglobina = 13,1 g/dL (valor de referência: 12,0 a 15,8 g/dL); plaquetas = 108.000/mm³ (valor de referência: 130.000 a 450.000/mm³); leucócitos = 4.800/mm³ (valor de referência: 3.600 a 11.000/mm³); eosinófilos = 3% (valor de referência: 0 a 7%); segmentados = 53% (valor de referência: 40 a 70%), linfócitos = 35% (valor de referência: 20 a 50%), monócitos = 9% (valores de referência: 3 a 14%); AST = 43 U/L (valor de referência: inferior a 34 U/L); ALT = 38 U/L (valor de referência: 10 a 49 U/L); ureia = 43 mg/dL (valor de referência: 19 a 49 mg/dL); creatinina = 1,1 mg/dL (valor de referência: 0,53 a 1,00 mg/dL). No exame de ultrassonografia, observa-se que o feto está ativo e normal. Esse caso deve ser notificado à Vigilância Epidemiológica e a mãe deve ser tranquilizada com a informação de que está tudo bem com ela e com o feto, que apenas uma minoria dos recém-nascidos é afetada nesses casos e que a Equipe de Saúde da Família irá acompanhá-la durante toda a gestação. Que outras condutas devem ser adotadas pelo médico?
Gestante com suspeita de arbovirose → Notificar, hidratar, coletar sorologia/PCR e monitorar sinais de alarme.
Gestantes são grupo de risco (Grupo B) para dengue; exigem monitoramento rigoroso e investigação para Zika e Chikungunya devido aos riscos fetais e obstétricos.
O manejo de arboviroses em gestantes exige alta suspeição clínica. No caso apresentado, a paciente está no 4º dia de sintomas, fase em que a febre cede e podem surgir sinais de choque ou extravasamento plasmático na dengue. A conduta correta envolve a notificação imediata, hidratação oral vigorosa (60ml/kg/dia), prescrição de sintomáticos permitidos (paracetamol) e agendamento de retorno em 48h ou imediatamente se houver sinais de alarme. A coleta de amostras para as três arboviroses é essencial para a vigilância epidemiológica e monitoramento fetal.
Toda gestante com suspeita de dengue, independentemente da presença de sinais de alarme, é classificada no mínimo como Grupo B. Isso ocorre devido ao risco aumentado de complicações hemorrágicas e obstétricas, exigindo obrigatoriamente a realização de hemograma completo e acompanhamento mais próximo.
Em áreas com circulação simultânea, deve-se solicitar a pesquisa viral (RT-PCR) ou sorologia (IgM) para Dengue, Zika e Chikungunya. Na gestante, a investigação de Zika é prioritária devido ao risco de síndrome congênita, mesmo em quadros leves ou oligossintomáticos.
A internação é obrigatória se a gestante apresentar qualquer sinal de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, hipotensão postural, sangramento de mucosa) ou se for classificada nos Grupos C ou D. Casos do Grupo B podem ser manejados ambulatorialmente com reavaliação diária.
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