Dengue com Sinais de Alerta: Identificação e Manejo

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente feminina, 30 anos, natural e procedente de Florianópolis, é atendida na emergência com febre, dor abdominal intensa e vários episódios de vômitos. Refere que há 5 dias apresenta febre, cefaleia frontal de forte intensidade e mialgias difusas. Lembra- se de ter sofrido picadas por mosquitos há cerca de uma semana. Ao exame a paciente está desidratada ++/4, temperatura axilar de 37,4°C, pressão arterial de 110/70 mmHg, frequência cardíaca de 96 bpm, dor à palpação de quadrante superior direito do abdome, com hepatimetria de 14 cm. Exames complementares: Hemoglobina 14,8 mg/dL. Hematócrito de 50%, leucograma com 3900/mm³, contagem de plaquetas 71.000/mm³ e prova do laço positiva. Diante disso é levantada a suspeita de dengue. Assinale a alternativa correta em relação ao caso descrito, considerando a hipótese diagnóstica apresentada.

Alternativas

  1. A) Conforme a classificação da OMS, o quadro é de dengue com sinais de alerta.
  2. B) A paciente pode ser liberada para tratamento domiciliar com hidratação via oral.
  3. C) Os sinais de alerta no caso descrito são: cefaleia de forte intensidade, taquicardia e mialgias.
  4. D) Está indicada a transfusão de plaquetas para prevenir sangramentos.
  5. E) Não é necessário nenhum outro exame de confirmação diagnóstica uma vez que a prova do laço foi positiva.

Pérola Clínica

Dengue com sinais de alerta = dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hepatomegalia, hemoconcentração.

Resumo-Chave

A classificação da dengue pela OMS é crucial para o manejo. Sinais de alerta como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e hepatomegalia indicam maior risco de progressão para dengue grave, exigindo internação e monitoramento rigoroso.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. A classificação da doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é fundamental para guiar o manejo clínico e prevenir a progressão para formas graves. Essa classificação divide a dengue em: sem sinais de alerta, com sinais de alerta e grave. Os sinais de alerta indicam um risco aumentado de progressão para dengue grave e incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm e aumento do hematócrito concomitante com queda rápida das plaquetas. A presença de qualquer um desses sinais exige internação hospitalar para monitoramento e tratamento. O manejo da dengue com sinais de alerta envolve hidratação venosa cuidadosa, monitoramento dos sinais vitais, balanço hídrico, hematócrito e plaquetas. A transfusão de plaquetas não é rotineiramente indicada, sendo reservada para sangramentos graves e refratários, independentemente da contagem plaquetária. A identificação precoce e o manejo adequado dos sinais de alerta são cruciais para reduzir a morbimortalidade da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para dengue?

Os principais sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito.

Qual a conduta inicial para um paciente com dengue e sinais de alerta?

Pacientes com dengue e sinais de alerta devem ser internados para monitoramento rigoroso e hidratação venosa, com avaliação frequente do hematócrito e plaquetas, além de controle de sinais vitais.

Por que a hemoconcentração é um sinal de alerta na dengue?

A hemoconcentração indica extravasamento plasmático, que é o principal mecanismo fisiopatológico da dengue grave. Um aumento do hematócrito, mesmo que o valor absoluto esteja dentro da normalidade, é um sinal de alerta importante.

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