Dengue com Sinais de Alerta: Reconhecimento e Conduta Urgente

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 17 anos de idade, apresenta febre alta, cefaleia, dores articulares e prostração há dois dias. Mora na cidade de São Paulo e nega viagens recentes. Refere vacinação em dia. Seu pai, de 48 anos, apresentou quadro semelhante há uma semana. Exame físico: T= 38,5 ° C, FC = 108 bpm, exantema maculopapular difuso, enchimento capilar lento, dor intensa à palpação do abdome, sem visceromegalias. Indique o diagnóstico mais provável e a conduta.

Alternativas

  1. A) Sarampo; hidratação oral e analgésicos
  2. B) Sarampo; internar para observação
  3. C) Dengue; hidratação oral e observação
  4. D) Dengue com sinais de alerta; internar para hidratação endovenosa
  5. E) Chikungunya; internar para diagnóstico e observação

Pérola Clínica

Febre + exantema + enchimento capilar lento + dor abdominal intensa → Dengue com sinais de alerta, internar para hidratação EV.

Resumo-Chave

A dengue com sinais de alerta exige internação e hidratação endovenosa imediata. Sinais como enchimento capilar lento e dor abdominal intensa indicam extravasamento plasmático ou comprometimento orgânico, sinalizando risco de choque e necessidade de manejo agressivo.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais como o Brasil. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas assintomáticas até quadros graves com choque e óbito. A classificação de risco da dengue é fundamental para guiar a conduta e o manejo adequado dos pacientes, sendo um tópico de alta relevância para residentes. A fisiopatologia da dengue grave envolve o extravasamento plasmático, que pode levar a hemoconcentração, choque hipovolêmico e disfunção de múltiplos órgãos. Os sinais de alerta são manifestações clínicas que indicam o início do extravasamento plasmático e o risco iminente de choque. Exemplos incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, letargia e, como no caso apresentado, enchimento capilar lento, que reflete hipoperfusão. A história epidemiológica (pai com quadro semelhante, morar em São Paulo) reforça a suspeita em área endêmica. O manejo da dengue é baseado na classificação de risco. Pacientes com sinais de alerta devem ser internados para monitoramento rigoroso e hidratação endovenosa imediata e agressiva, com soluções cristaloides. O objetivo é reverter o extravasamento plasmático e prevenir o choque. É crucial que o residente esteja apto a identificar precocemente os sinais de alerta, diferenciar a dengue de outras doenças febris exantemáticas (como sarampo e chikungunya) e instituir a conduta terapêutica correta para evitar a progressão para formas graves da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta na dengue que indicam gravidade?

Os sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia >2 cm e aumento progressivo do hematócrito com queda abrupta das plaquetas.

Por que o enchimento capilar lento e a dor abdominal intensa são sinais de alerta na dengue?

O enchimento capilar lento indica hipoperfusão tecidual, um sinal precoce de choque devido ao extravasamento plasmático. A dor abdominal intensa pode ser um indicativo de extravasamento plasmático significativo, hepatomegalia dolorosa ou inflamação de órgãos abdominais, todos sugerindo gravidade.

Qual a importância da hidratação endovenosa na dengue com sinais de alerta?

A hidratação endovenosa é crucial para repor o volume intravascular perdido devido ao extravasamento plasmático, prevenindo o choque hipovolêmico. A rápida e adequada reposição volêmica é a medida mais importante para reduzir a morbimortalidade na dengue grave.

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