Dengue com Sinais de Alarme: Diagnóstico e Manejo Pediátrico

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Adolescente, sexo masculino, 9 anos, peso = 30kg, diabético, com queixa de febre, dor retrorbitária, cefaleia e mialgia há 3 dias. Hoje apresentou “manchas” difusas pelo corpo e melhora da febre. Exame físico: BEG-REG, corado, hidratado, eupneico, acianótico, anictérico, afebril. Pele: exantema maculopapular eritematoso difuso com presença de petéquias; pulmões: MV+, simétrico, sem ruídos adventícios, FR = 20ipm; ACV: 2BRNF s/ sopros, FC = 100 bpm, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, PA = 100x70mmHg; abdome: plano, normotenso, fígado a 2,5 cm do RCD, doloroso a palpação, RHA+NA; sistema nervoso sem alterações. Qual é o diagnóstico e a conduta para o caso descrito, segundo o Ministério da Saúde?

Alternativas

  1. A) Dengue sem sinais de alarme. Prescrever hidratação com volume de 80 ml/kg/dia (1/3 de soro de reidratação oral + 2/3 de líquidos naturais).
  2. B) Dengue com sinais de alarme. Prescrever hidratação com volume de 20ml/kg/h de soro fisiológico e reavaliação em 2 horas.
  3. C) Dengue grave. Prescrever hidratação imediata com volume de 20 ml/kg de soro fisiológico em 20 minutos com reavaliação após.
  4. D) Dengue sem sinais de alarme. Prescrever hidratação com volume de 80 ml/kg/dia sendo 1/3 desse volume administrado em 4 horas.
  5. E) Dengue com sinais de alarme. Prescrever hidratação com volume de 40 ml/kg de soro fisiológico e reavaliação após.

Pérola Clínica

Dengue: melhora da febre + exantema + petéquias + dor abdominal = Sinais de Alarme → Hidratação IV imediata.

Resumo-Chave

A fase crítica da dengue é marcada pela defervescência, onde podem surgir sinais de alarme como dor abdominal intensa, hepatomegalia, petéquias e sangramentos. A presença desses sinais indica a necessidade de hidratação venosa imediata e monitoramento rigoroso para evitar choque.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública brasileira, especialmente em crianças. A classificação correta da doença, conforme os critérios do Ministério da Saúde, é crucial para o manejo adequado e a prevenção de complicações graves, como o choque. A identificação precoce dos sinais de alarme é um pilar fundamental na abordagem clínica. A fisiopatologia da dengue envolve um aumento da permeabilidade vascular, que pode levar ao extravasamento plasmático e hemoconcentração, principalmente na fase crítica da doença, que coincide com a defervescência. Sinais como dor abdominal intensa, hepatomegalia e sangramentos são indicativos de gravidade e exigem intervenção imediata. O tratamento da dengue com sinais de alarme baseia-se na hidratação venosa rigorosa, com soro fisiológico 0,9%, e monitoramento contínuo dos parâmetros hemodinâmicos. A reavaliação frequente do paciente é essencial para ajustar o volume de fluidos e identificar a progressão para formas mais graves, como a dengue grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme da dengue em crianças?

Os principais sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa, sangramentos (petéquias, epistaxe), queda abrupta da temperatura e letargia.

Qual a conduta inicial para um paciente pediátrico com dengue e sinais de alarme?

A conduta inicial é a hidratação venosa imediata com soro fisiológico 0,9% na dose de 20 mL/kg em 20 minutos a 1 hora, seguida de reavaliação e ajuste conforme a resposta clínica.

Por que a fase de defervescência é crítica na dengue?

A fase de defervescência é crítica porque é quando ocorre o extravasamento plasmático, levando a hemoconcentração e, se não tratada, ao choque. Os sinais de alarme geralmente surgem nesse período.

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