Dengue Grave: Manejo da Reposição Volêmica em Pediatria

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023

Enunciado

Vitória, 14 anos, é levada ao serviço de urgência com história de febre, e após 3 dias de febre, apareceu erupção cutânea em tronco e membros, com prurido, além de cefaleia e mialgia, nas últimas 24 horas desenvolveu gengivorragia, dor abdominal e vômitos (2 episódios). Exame físico: afebril, corada, eupneica, orientada. Auscultas cardíaca e respiratória normais, FC: 80 bpm, FR: 20 irpm, PA: 110x70 mmHg. Abdome: plano, depressível, doloroso à palpação difusamente, sem sinais de irritação peritoneal. Pele: exantema maculopapular em tronco e membros. Diante da doença exantemática relatada, qual a conduta a ser adotada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Deve receber reposição volêmica imediata com soro fisiológico 10 ml/kg na primeira hora.
  2. B) Precisa obrigatoriamente realizar os seguintes exames complementares: hemograma completo, albumina sérica, transaminases e ultrassonografia de abdome.
  3. C) Reavaliação clínica deve acontecer a cada 2 horas e avaliação de hematócrito a cada 4 horas.
  4. D) O exame complementar mais apropriado para confirmar o diagnóstico na fase da doença em que o adolescente se encontra é a sorologia.
  5. E) A notificação do caso deve aguardar confirmação laboratorial da doença para, então, ser realizada.

Pérola Clínica

Dengue com sinais de alarme (gengivorragia, dor abdominal, vômitos) → Reposição volêmica imediata 10 mL/kg SF 0,9% na 1ª hora.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de alarme para dengue grave, como sangramento (gengivorragia), dor abdominal intensa e vômitos persistentes. A conduta inicial prioritária é a reposição volêmica agressiva para prevenir o choque, que é a principal causa de óbito na dengue.

Contexto Educacional

A dengue é uma doença febril aguda de etiologia viral e de evolução benigna na maioria dos casos, mas pode apresentar formas graves com risco de morte. É uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. A identificação precoce dos sinais de alarme é fundamental para o manejo adequado e a prevenção de desfechos desfavoráveis. A fisiopatologia da dengue grave envolve o extravasamento plasmático devido ao aumento da permeabilidade vascular, levando à hemoconcentração e, em casos mais graves, ao choque hipovolêmico. Sinais como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos de mucosas (gengivorragia), letargia e aumento do hematócrito são indicativos de gravidade e demandam atenção imediata. O tratamento da dengue grave é primordialmente de suporte, com ênfase na reposição volêmica. A fluidoterapia com cristaloides isotônicos (soro fisiológico 0,9%) deve ser iniciada prontamente na dose de 10 mL/kg em 1 hora, com reavaliações clínicas e laboratoriais frequentes (hematócrito a cada 4 horas). A monitorização rigorosa dos sinais vitais e do balanço hídrico é essencial para guiar a terapia e evitar tanto a hipovolemia quanto a sobrecarga hídrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme da dengue grave?

Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos de mucosas (gengivorragia, epistaxe), letargia, irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm, hipotensão postural e aumento progressivo do hematócrito.

Qual a conduta inicial para um paciente com dengue e sinais de alarme?

A conduta inicial é a reposição volêmica imediata com cristaloides isotônicos (soro fisiológico 0,9%) na dose de 10 mL/kg em 1 hora, seguida de reavaliação clínica e laboratorial.

Por que a reposição volêmica é tão crítica na dengue grave?

A reposição volêmica é crítica porque a dengue grave pode levar a extravasamento plasmático, resultando em hemoconcentração e choque hipovolêmico. A fluidoterapia precoce e adequada previne a progressão para choque e suas complicações.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo