UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Escolar, 7 anos, peso de 22 Kg, sexo feminino, inciou quadro de febre há 4 dias. Mãe refere que criança apresenta também mialgia, cefaleia, dor retro-orbitária e diminuição do apetite. Há 1 dia apareceram manchas pruriginosas por todo corpo. Hoje está muito sonolenta. Ao exame BEG-REG, prostrada, corada, eupneica, acianótica, sonolenta. Presença de exantema maculo-papular difuso (inclusive mãos e pés) e prova do laço positiva. Restante do exame físico sem alterações. Qual é a conduta a ser tomada?
Criança com dengue, sonolência, exantema, prova do laço +, prostração → Dengue Grave = Reposição volêmica IV e regulação.
A criança apresenta sinais de alarme (sonolência, prostração, exantema difuso, prova do laço positiva), indicando dengue com sinais de alarme ou grave. A conduta imediata é reposição volêmica intravenosa com soro fisiológico 0,9% e regulação para unidade de maior complexidade.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em crianças, onde a progressão para formas graves pode ser rápida e fatal. O reconhecimento precoce dos sinais de alarme é crucial para um manejo adequado e para evitar complicações. A apresentação clínica em crianças pode ser atípica, mas sintomas como febre, mialgia, cefaleia e dor retro-orbitária são comuns. No caso apresentado, a criança de 7 anos com febre há 4 dias, mialgia, cefaleia, dor retro-orbitária, diminuição do apetite, exantema maculo-papular difuso (inclusive mãos e pés), sonolência e prostração, além da prova do laço positiva, apresenta múltiplos sinais de alarme. A sonolência e a prostração indicam comprometimento neurológico ou choque incipiente, enquanto a prova do laço positiva sugere fragilidade capilar e risco de sangramento. O exantema em mãos e pés, embora inespecífico, pode ocorrer. Diante de sinais de alarme, a conduta é de emergência: solicitar exames laboratoriais (hemograma para avaliar hematócrito e plaquetas), prescrever reposição volêmica com soro fisiológico 0,9% na dose de 10 mL/kg na primeira hora, e providenciar a regulação do paciente para um hospital ou unidade de terapia intensiva. A hidratação oral domiciliar é contraindicada nesses casos, pois a absorção pode ser insuficiente e o risco de choque é iminente. O manejo agressivo da hidratação intravenosa é a chave para prevenir o choque e suas consequências.
Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia, hipotensão postural e, no caso da questão, sonolência e prostração.
A conduta inicial é a reposição volêmica intravenosa imediata com soro fisiológico 0,9% (10 mL/kg na 1ª hora, podendo repetir) e a regulação do paciente para uma unidade de maior complexidade para monitoramento e tratamento intensivo.
A prova do laço positiva indica fragilidade capilar e é um preditor de sangramentos, sendo um critério para classificar a dengue como 'com sinais de alarme' ou para indicar maior risco de complicação hemorrágica.
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