SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Adolescente, 14 anos, sexo masculino, é levado à emergência por apresentar febre alta e dores no corpo. Mãe relata que o quadro teve início há quatro dias com febre (38,5°C), cefaleia e mialgia. Hoje evoluindo com aparecimento de rash maculopapular em membros e tronco, dor abdominal e vômitos (4 episódios). Último pico febril, ontem. Nega comorbidades. Ao exame: hipoativo, afebril, desidratado (+/4+), eupneico, anictérico, FR: 20 irpm, FC: 86 bpm, Sat O₂: 96%, PA: 100 x 70 mm Hg. Prova do laço negativa. Ausculta cardiopulmonar sem alterações. Abdome depressível, fígado palpável à 3cm do rebordo costal direito, doloroso. Pulsos periféricos palpáveis.Considerando o Fluxograma do Ministério da Saúde quanto ao Manejo do paciente com Dengue, qual alternativa representa os passos iniciais mais adequados no cuidado deste paciente?
Dengue com sinais de alarme (dor abdominal, vômitos, hepatomegalia, desidratação) → Internação + Hidratação IV 20ml/kg/h.
Este paciente apresenta múltiplos sinais de alarme para dengue (dor abdominal, vômitos persistentes, hepatomegalia, desidratação e hipoatividade), indicando a necessidade de internação e hidratação venosa imediata. A fase de defervescência é crítica para o surgimento de complicações.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente no Brasil. A classificação e o manejo adequados são cruciais para prevenir a progressão para formas graves. O Ministério da Saúde estabelece um fluxograma que categoriza os pacientes em grupos (A, B, C, D) com base na presença de sinais de alarme e gravidade, orientando a conduta terapêutica. A identificação precoce dos sinais de alarme é vital para a intervenção oportuna. Os sinais de alarme indicam um aumento do risco de extravasamento plasmático e choque. Eles incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia, sangramentos, hipotensão postural, letargia, irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito. A presença de qualquer um desses sinais classifica o paciente no Grupo C, exigindo internação e monitoramento rigoroso. A fisiopatologia envolve o aumento da permeabilidade vascular, levando ao extravasamento de plasma e, consequentemente, à desidratação e, em casos graves, ao choque. O tratamento para pacientes do Grupo C foca na hidratação venosa agressiva para repor o volume intravascular e prevenir o choque. A conduta inicial preconizada é a infusão de 20 mL/kg de solução salina isotônica em 2 horas, seguida de reavaliação clínica e laboratorial. O monitoramento contínuo do estado hemodinâmico, débito urinário e hematócrito é fundamental para ajustar a terapia e identificar precocemente a progressão para dengue grave.
Os principais sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia > 2 cm, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hipotensão postural, e aumento progressivo do hematócrito.
A conduta inicial para pacientes com dengue e sinais de alarme é a internação hospitalar, hidratação venosa imediata com solução salina isotônica (20 mL/kg/h por 2 horas), e reavaliação clínica e laboratorial frequente.
A fase de defervescência é crítica porque é nesse período, quando a febre cede, que ocorre o extravasamento plasmático, podendo levar a choque, hemorragias e disfunção orgânica, mesmo na ausência de febre.
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