FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Escolar, sexo feminino, 8 anos de idade, deu entrada no pronto atendimento com queixa de febre de até 39 °C há 3 dias. Há 2 dias com cefaleia frontal, prostração, dor em joelhos e cotovelos, e desde hoje com exantema pruriginoso em tronco, vómitos e dor abdominal difusa. Nega diarreia. Sem sintomas respiratórios. Neste período, usou apenas dipirona para controle da dor e da febre. Ao exame clínico, paciente em regular estado geral, descorado 1+/4+, hidratado, ativo, sem sinais meníngeos. Sinais vitais com FC 90 bpm, FR 18 irpm, PA 90 x 60 mmHg, pulsos cheios, tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Abdome plano, doloroso a palpação difusamente, sem dor a descompressão brusca. Presença de exantema difuso, mais intenso em tronco. Sem outras alterações significativas. Optado pela coleta de exames, com Hb 11,2, Ht48,3%, leucócitos: 5200 (60% neutrófilos, 2% basófilos, 24% linfóticos, 14% monócitos), plaquetas: 130 000, proteína C reativa 77 mg/dL, TGO: 92 U/L, TGP: 103 U/L, albumina: 2,2 mg/dL, sódio: 140 mEq/L, potássio: 4,1 mEq/L. Ultrassonografia de abdome com discreta quantidade de líquido livre em cavidade, sem outros achados significativos. Radiografia de tórax sem alterações. Trata-se de criança sem comorbidades prévias conhecidas e com vacinação completa pelo Calendário Nacional de Imunizações. Tendo em vista o diagnóstico mais provável, a conduta indicada é
Dengue com sinais de alarme (dor abdominal, vômitos persistentes, hemoconcentração, plaquetopenia) em criança → internação e hidratação EV.
A paciente apresenta sinais de alarme para dengue (dor abdominal, vômitos, hemoconcentração, plaquetopenia, extravasamento plasmático), indicando a necessidade de internação e hidratação venosa rigorosa para prevenir a progressão para dengue grave e choque. O NS1 é útil para diagnóstico precoce.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Em crianças, a apresentação clínica pode ser atípica e a progressão para formas graves, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave, pode ser rápida. É crucial que profissionais de saúde estejam aptos a identificar precocemente os sinais de alarme, que indicam extravasamento plasmático e risco iminente de choque, para instituir o manejo adequado e evitar desfechos desfavoráveis. A notificação compulsória é essencial para a vigilância epidemiológica e controle da doença. Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia, hepatomegalia e, laboratorialmente, hemoconcentração e plaquetopenia progressiva. A fisiopatologia central da dengue grave envolve o aumento da permeabilidade vascular, levando ao extravasamento de plasma e, consequentemente, à hipovolemia e choque. O diagnóstico pode ser confirmado por testes como o NS1 nos primeiros dias da doença ou sorologias (IgM/IgG) após o 5º dia. A conduta para dengue com sinais de alarme é a internação hospitalar e a instituição imediata de hidratação endovenosa com cristaloides, seguindo protocolos específicos para cada grupo de risco. O monitoramento rigoroso dos sinais vitais, débito urinário, hematócrito e plaquetas é indispensável para guiar a terapia hídrica e identificar a necessidade de intervenções adicionais. O ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios não esteroides são contraindicados devido ao risco de sangramento. Para residentes, a capacidade de diferenciar as fases da dengue e aplicar o manejo correto é uma competência vital.
Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm, aumento progressivo do hematócrito e queda abrupta das plaquetas.
A hidratação endovenosa é fundamental para combater o extravasamento plasmático, que é a principal fisiopatologia da dengue com sinais de alarme e dengue grave. Ela visa manter a volemia e prevenir o choque hipovolêmico, que pode ser fatal.
O teste de antígeno NS1 é útil para o diagnóstico precoce da dengue, especialmente nos primeiros 5 dias de sintomas, quando a viremia é alta. Ele permite a confirmação rápida da infecção, orientando o manejo e a vigilância epidemiológica.
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