USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Mulher de 68 anos procura a Unidade de Saúde da Família (USF) em demanda espontânea e no acolhimento refere febre não aferida há 4 dias, associada a cefaleia, mialgia, artralgia, náuseas e diarreia. Nega vômito, dor abdominal. Não buscou atendimento antes, pois o esposo e o filho estão diagnosticados com dengue e acreditou que pudesse ser o mesmo. A técnica de enfermagem solicita supervisão da enfermeira que orienta a mesma a notificar dengue, realizar prova do laço e hematócrito em centrifuga e, após os resultados, solicita avaliação médica. A médica de família e comunidade examina a paciente e identifica que a mesma está em BEG, corada, hidratada, PA 136X79 mmHg, FC 96 bom, FR 16 ipm, auscultas cardíacas e respiratória sem alterações; abdome: RHA +, normoativo, indolor, sem visceromegalias, Descompressão Brusca (DB) ausente, membros sem edema, panturrilhas livres. Prova do laço positiva. Hematócrito: 49%. Qual a melhor conduta inicial para esta situação?
Dengue com sinais de alarme (prova do laço +, Ht ↑) → Hidratação IV 10mL/kg em 1h (SF 0,9%) em idosos/risco.
A paciente apresenta sinais de alarme para dengue (prova do laço positiva, hematócrito no limite superior da normalidade para mulher e idade avançada), indicando a necessidade de hidratação endovenosa. A conduta inicial para pacientes do Grupo C (com sinais de alarme) é a infusão de 10 mL/kg de solução cristaloide em 1 hora, sob observação rigorosa.
A dengue é uma doença febril aguda de grande impacto na saúde pública brasileira, com potencial para evoluir para formas graves. A identificação precoce dos sinais de alarme e a classificação de risco adequada são cruciais para um manejo eficaz e para a prevenção de complicações, como o choque por extravasamento plasmático. Pacientes idosos e com comorbidades são considerados grupos de risco, exigindo atenção redobrada. A fisiopatologia da dengue grave envolve o extravasamento plasmático, que pode ser detectado por sinais como a prova do laço positiva e o aumento do hematócrito. A prova do laço avalia a fragilidade capilar, enquanto o hematócrito reflete a hemoconcentração. A presença desses sinais, mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis, indica a necessidade de intervenção com hidratação venosa para repor o volume intravascular e evitar a progressão para o choque. O tratamento da dengue é essencialmente de suporte, com foco na hidratação. Para pacientes com sinais de alarme (Grupo C), a recomendação é iniciar com 10 mL/kg de soro fisiológico 0,9% em 1 hora, seguido de reavaliações clínicas e laboratoriais. O prognóstico está diretamente relacionado à agilidade e adequação do manejo, sendo a hidratação precoce e agressiva a chave para evitar desfechos desfavoráveis.
Os principais sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas (como prova do laço positiva), letargia/irritabilidade, hepatomegalia >2cm, hipotensão postural e aumento progressivo do hematócrito. A presença de qualquer um desses indica a necessidade de hidratação IV.
Para pacientes idosos com dengue e sinais de alarme (Grupo C), a conduta inicial é a hidratação endovenosa com solução cristaloide (soro fisiológico 0,9%) na dose de 10 mL/kg em 1 hora. Após essa fase, a reavaliação clínica e laboratorial é fundamental para guiar os próximos passos.
O hematócrito é crucial porque um aumento progressivo ou um valor no limite superior da normalidade pode indicar extravasamento plasmático, um dos principais mecanismos da fisiopatologia da dengue grave. Sua monitorização auxilia na classificação de risco e na decisão terapêutica, especialmente quanto à necessidade de hidratação venosa.
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