SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Mulher de 70 anos, hipertensa e diabética, iniciou febre, mialgia difusa, poliartralgia, cefaleia e dor retrorbitária há 5 dias. No terceiro dia de sintomas, realizou pesquisa do antígeno NS₁, que veio positiva, e apresentou melhora parcial do quadro. Procura atendimento em unidade de emergência hoje, entretanto, por conta de recrudescência da febre e aparecimento de rash macular. Nega outros sintomas. Exame físico: FC 90bpm / FR 18irpm / PA 130x80mmHg / Tmax 37,8C / SpO₂ 96% em ar ambiente. Qual a conduta mais adequada nessa situação?
Dengue com recrudescência febre + rash macular + idade > 60 anos → Internação e hidratação venosa.
A paciente apresenta recrudescência da febre e rash macular após melhora parcial, o que, associado à idade avançada (70 anos) e comorbidades (hipertensão, diabetes), indica um quadro de dengue com sinais de alarme ou risco de complicação. A conduta adequada é a internação para monitoramento e hidratação venosa, não apenas observação oral.
A dengue é uma doença febril aguda de etiologia viral, com um espectro clínico que varia desde formas assintomáticas até quadros graves e fatais. O manejo adequado depende da classificação de risco do paciente, que considera a presença de sinais de alarme, comorbidades e idade. Pacientes idosos, como a mulher de 70 anos do caso, e aqueles com doenças crônicas como hipertensão e diabetes, são considerados grupos de risco para o desenvolvimento de formas graves da doença. A fase crítica da dengue geralmente ocorre após a defervescência (queda da febre), entre o 3º e o 7º dia de doença. A recrudescência da febre, o aparecimento de rash macular e a persistência de sintomas nesse período, especialmente em pacientes de risco, devem levantar a suspeita de dengue com sinais de alarme. Estes sinais indicam extravasamento plasmático e risco de choque, exigindo monitoramento rigoroso e intervenção imediata. A conduta para pacientes com dengue e sinais de alarme, ou para grupos de risco, é a internação hospitalar para monitoramento contínuo e início de hidratação venosa. A hidratação oral, embora importante nas formas leves, é insuficiente para prevenir a progressão para choque. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente esses pacientes, classificar o risco e iniciar o manejo adequado para prevenir complicações graves e reduzir a mortalidade.
Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia, hipotensão postural, e aumento progressivo do hematócrito. A recrudescência da febre na fase crítica também é um sinal importante.
A hidratação venosa é fundamental para repor perdas volêmicas devido ao extravasamento plasmático, que é a principal fisiopatologia da dengue grave. Ela previne o choque hipovolêmico e suas complicações.
Pacientes idosos (>60 anos) e aqueles com comorbidades (diabetes, hipertensão, cardiopatias) são considerados grupos de risco para dengue grave, mesmo na ausência de sinais de alarme clássicos, e devem ter um manejo mais cauteloso, frequentemente com indicação de internação.
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