Dengue Grave: Manejo do Choque Refratário com Coloides

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 38a, admitido em Unidade de Emergência sonolento, com extremidades frias, com teste rápido positivo para dengue. Os sintomas de febre e mialgia se iniciaram há cinco dias, com piora progressiva. PA=94/76mmHg, FC=112bpm, FR=25irpm, oximetria de pulso=95% (ar ambiente) e T=38,2oC, enchimento capilar=4 segundos. Pulsos fracos e filiformes. Iniciada infusão de solução salina, 20mL/Kg em 20 minutos. Exames laboratoriais: hemoglobina=16,4g/dL, hematócrito=51%, leucócitos=3.400/mm³ (45% segmentados, 40% linfócitos, 10% linfócitos atípicos); plaquetas=76.000/mm³. Após expansões rápidas e repetidas com solução salina, os sinais vitais se mantiveram inalterados e foram coletados novos exames após 2 horas: hematócrito=54% e coagulograma normal.DE ACORDO COM O MANUAL DENGUE - DIAGNÓSTICO E MANEJO CLÍNICO ADULTO E CRIANÇA, DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023, O PRÓXIMO PASSO PARA O CONTROLE VOLÊMICO NESTE CASO É:

Alternativas

Pérola Clínica

Dengue + choque refratário a cristaloides + hematócrito ↑ → considerar coloides (albumina).

Resumo-Chave

Em casos de choque por dengue refratário a expansões rápidas e repetidas com cristaloides, especialmente com hematócrito persistentemente elevado, o próximo passo é considerar a infusão de coloides, como a albumina, conforme o Manual de Dengue do MS 2023.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública brasileira, podendo evoluir para formas graves, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave, caracterizada por choque, sangramentos e disfunção orgânica. O manejo adequado da fase crítica é fundamental para reduzir a morbimortalidade. O choque por dengue é resultado do extravasamento plasmático, levando à hipovolemia e hemoconcentração. A fluidoterapia com cristaloides é a base do tratamento inicial, com expansões rápidas e repetidas. No entanto, em casos de choque refratário, onde o paciente não responde às expansões volêmicas iniciais e mantém sinais de hipoperfusão e hemoconcentração, o Manual de Dengue do Ministério da Saúde de 2023 orienta a considerar o uso de coloides (como a albumina a 5% ou 10%) para otimizar a expansão volêmica e manter a pressão oncótica, evitando a sobrecarga hídrica com cristaloides e suas complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque por dengue?

Sinais incluem hipotensão, pulsos finos e rápidos, enchimento capilar prolongado (>2s), extremidades frias, oligúria e alteração do nível de consciência, indicando hipoperfusão tecidual.

Quando considerar o uso de coloides no manejo do choque por dengue?

Coloides são indicados quando o paciente não responde às expansões rápidas e repetidas com cristaloides, apresentando choque refratário e/ou hemoconcentração persistente, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.

Qual a importância do hematócrito no manejo da dengue grave?

O hematócrito é um indicador chave de extravasamento plasmático e hemoconcentração. Sua elevação persistente, mesmo após fluidoterapia, sugere choque refratário e a necessidade de reavaliar a estratégia de hidratação.

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