USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Criança de 7 anos, residente em zona urbana de Ribeirão Preto, vem ao atendimento de urgência com história de 6 dias de febre (38,5° a 39°C), cefaleia e prostração. Há 1 dia evoluiu com dor abdominal, náuseas e vômitos. Ao exame: regular estado geral, corado, desidratado leve, anictérico, acianótico, eupneico; Sinais vitais normais. Pele: exantema micro macular em tronco e membros. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Abdome difusamente doloroso à palpação, sem dor à descompressão, fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito, baço não palpável. Foram realizados os seguintes exames: Hemograma: Hemoglobina: 14g/dL, hematócrito: 46%, glóbulos brancos: 3200/mm3 (25% neutrófilos segmentados e 70% linfócitos), plaquetas: 89.000/mm³. Albumina: 3,2 g/dL (VR3,5-5): TGO: 110 UVL (VR <45). Coagulograma: INR 0,99 (VR< 1,3); TTPA 33 segundos, ratio 1,0 (VR< 1,26). Qual é o diagnóstico mais provável?
Febre + plaquetopenia + dor abdominal + TGO↑ + desidratação leve = Sinais de Alarme para Dengue (Grupo C).
O quadro clínico de febre, cefaleia, exantema, dor abdominal, náuseas/vômitos, hepatomegalia, leucopenia, plaquetopenia (<100.000) e hemoconcentração (hematócrito 46% com desidratação leve) com albumina baixa e TGO elevada, indica Dengue com Sinais de Alarme (Grupo C), devido à presença de dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hepatomegalia e hemoconcentração.
A Dengue é uma doença febril aguda de etiologia viral, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, com grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas assintomáticas ou leves até quadros graves com choque e hemorragias. A classificação da dengue em "com sinais de alarme" e "grave" é crucial para o manejo adequado e a redução da mortalidade. O caso descrito, com febre, cefaleia, exantema, dor abdominal, náuseas, vômitos, hepatomegalia, leucopenia, plaquetopenia (<100.000), albumina baixa e TGO elevada, configura um quadro de Dengue com Sinais de Alarme (Grupo C). Os sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hepatomegalia e evidências de extravasamento plasmático (hematócrito elevado para o estado de hidratação, albumina baixa), indicam um risco aumentado de progressão para a forma grave da doença. O manejo da Dengue com Sinais de Alarme requer internação hospitalar para monitoramento rigoroso e hidratação intravenosa com cristaloides, visando repor o volume intravascular e prevenir o choque. A identificação precoce desses sinais e a intervenção imediata são fundamentais para evitar complicações graves, como o choque da dengue, que pode levar à falência de múltiplos órgãos e óbito.
Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm, e aumento progressivo do hematócrito com queda das plaquetas.
A plaquetopenia é comum na dengue, mas uma queda rápida e acentuada (<100.000) é um sinal de alerta. O aumento progressivo do hematócrito, especialmente após a fase febril, indica extravasamento plasmático e hemoconcentração, um marcador de gravidade e risco de choque.
Dor abdominal intensa e vômitos persistentes são sinais de alarme porque podem indicar extravasamento plasmático significativo, inflamação visceral e risco iminente de choque hipovolêmico, exigindo hidratação intravenosa e monitoramento rigoroso.
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